Domingo, 26 de Abril de 2026
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Domingo, 26 Abril 2026 13:14

Funcionária do Consulado de Angola no Rio de Janeiro denuncia alegados abusos e despedimento injusto

Uma funcionária do Consulado de Angola no Rio de Janeiro tornou pública uma denúncia grave envolvendo alegados episódios de perseguição institucional, assédio moral, falta de apoio em situações de saúde e um processo de despedimento que considera injusto.

A denunciante, Joselina Landu António, afirma trabalhar na instituição há 17 anos e relata um histórico prolongado de conflitos com diferentes direções.

Segundo o testemunho, a situação terá começado a agravar-se a partir de 2013, com a entrada de um novo responsável consular, a quem acusa de práticas abusivas e de promover um ambiente de trabalho hostil. Joselina afirma ter sido alvo de humilhações públicas, isolamento profissional e pressão psicológica, alegando que tais circunstâncias contribuíram para a perda de uma gravidez de seis meses.

A funcionária sustenta possuir documentação que comprova os episódios relatados, incluindo reuniões em que teria sido exposta perante colegas e situações de alegada discriminação interna. Refere ainda que, ao longo dos anos, terá sido sistematicamente afastada de funções e colocada em posições sem tarefas definidas.

A denúncia inclui também críticas à gestão recente do consulado. Joselina afirma ter sido diagnosticada com cancro da mama há cerca de quatro anos e que, apesar de informar a chefia, não recebeu apoio institucional durante o tratamento. Em contraste, alega que outra funcionária terá beneficiado de assistência financeira significativa em circunstâncias semelhantes.

Além da situação pessoal, a funcionária denuncia alegadas falhas no apoio à comunidade angolana no Brasil, afirmando que existem fundos destinados a assistência que, segundo diz, não estariam a ser utilizados de forma adequada.

O relato inclui ainda um episódio ocorrido num estabelecimento noturno no Rio de Janeiro, que resultou na sua detenção após um conflito com funcionários de segurança. Joselina afirma ter sido vítima de agressão e injustiça no tratamento policial, acabando acusada de desacato e injúria racial — acusações que contesta. Segundo o seu testemunho, passou uma noite detida e foi posteriormente transferida para um estabelecimento prisional, sem apoio imediato do consulado.

A funcionária afirma que tentou obter assistência jurídica através da instituição, mas que o pedido foi recusado, sendo orientada a recorrer à defensoria pública. Refere ainda que suporta custos legais elevados com recursos próprios, apesar da sua situação de saúde e familiar, incluindo um filho com problemas médicos graves.

Nos últimos meses, Joselina denuncia um agravamento da situação laboral, acusando superiores hierárquicos de perseguição contínua, invasão do seu espaço de trabalho e tentativas de a afastar sob alegações de instabilidade psicológica. A funcionária afirma ter apresentado queixas formais às autoridades brasileiras e pondera avançar com medidas judiciais adicionais.

Relativamente ao processo de saída da instituição, a denunciante acusa a administração de tentar enquadrar a sua saída como demissão voluntária, evitando assim o pagamento de direitos laborais que considera devidos.

No seu apelo final, Joselina solicita a intervenção das autoridades angolanas, incluindo o Ministério das Relações Exteriores, pedindo investigação às práticas no consulado e medidas para proteger funcionários e membros da comunidade. Afirma ainda que o seu objetivo é deixar o cargo com os direitos garantidos e expor o que considera serem práticas recorrentes de abuso institucional.

Até ao momento, não há registo de resposta oficial por parte do Consulado de Angola no Rio de Janeiro relativamente às acusações apresentadas.

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