Há momentos na história de um país em que o silêncio das instituições pesa mais do que as suas palavras. Em Angola, um desses momentos poderá chegar no dia em que as principais lideranças religiosas afirmarem, de forma clara e inequívoca, que a Comissão Nacional Eleitoral (CNE) não reúne as condições de independência exigidas por uma democracia.
Há uma diferença subtil, mas decisiva, entre o direito de saber e o desejo de saber. O primeiro constitui um dos pilares do Estado Democrático de Direito, o segundo pertence ao domínio da curiosidade humana.
A pobreza continua a ser um dos maiores desafios de Angola. Ela limita oportunidades, fragiliza a dignidade humana e empurra milhares de cidadãos para o comércio informal como estratégia de sobrevivência. Perante esta realidade, é legítimo exigir do Estado políticas públicas que promovam emprego, inclusão económica, proteção social e melhores condições para o exercício das actividades comerciais.
Em caso de vitória do Presidente João Lourenço no Congresso de Dezembro, a questão da bicefalia é adiada até às eleições de 2027, se, eventualmente, o MPLA conseguir obter uma vitória eleitoral, com uma maioria absoluta.
Num Estado Democrático e de Direito, a força da justiça não se mede apenas pela capacidade de investigar e punir quem viola a lei. Mede-se, sobretudo, pela confiança que inspira aos cidadãos, pela sua independência em relação ao poder político e pela certeza de que ninguém será julgado na praça pública antes de ser julgado nos tribunais.
As eleições que decidirão o rumo de Angola talvez não sejam as gerais de 2027, mas as internas do MPLA, marcadas para Dezembro de 2026. A escolha do partido no poder não é assunto doméstico. O MPLA governa desde a independência. Pela Constituição, o Presidente da República é o cabeça de lista nacional do partido ou coligação mais votado, e o cargo está limitado a dois mandatos. João Lourenço está impedido de concorrer em 2027.
Do Portal do Ministério das Finanças, tomei conhecimento da informação divulgada sobre a apresentação pelo Executivo angolano de um relatório de execução orçamental que, à primeira vista, transmite uma imagem de sucesso económico.
Ao banalizarem o ex-Presidente José Eduardo dos Santos, banalizaram também a instituição Presidência da República e toda a pouca credibilidade que ainda lhe restava.