Terça, 16 de Junho de 2026
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Terça, 16 Junho 2026 13:28

António Venâncio critica condução do congresso do MPLA e admite integrar outro partido político

O pré-candidato à presidência do MPLA, António Venâncio, criticou esta terça-feira, em Luanda, a condução do processo preparatório do 9.º Congresso Ordinário do partido, considerando incompatível que a comissão organizadora continue a ser liderada por João Lourenço, que também se apresentou como candidato à liderança da formação política.

Falando em conferência de imprensa, António Venâncio manifestou preocupação com aquilo que classificou como “derrapagens” no decurso do processo de preparação do congresso, apontando alegadas alterações de procedimentos que, no seu entender, comprometem a transparência e a igualdade de tratamento entre os candidatos.

Segundo o pré-candidato, a data inicialmente prevista para a validação dos métodos de candidatura terá sido alterada de forma inesperada, permitindo a antecipação de determinadas etapas do processo.

“Fomos obrigados a manter correspondência institucional com a subcomissão de candidaturas e com a comissão de disciplina, ética e auditoria do partido para que sejam introduzidas as correcções necessárias e garantida a lisura do processo”, afirmou.

Venâncio defendeu que todos os concorrentes devem beneficiar de tratamento igualitário e apelou à eliminação de quaisquer mecanismos que possam favorecer um dos pretendentes ao cargo em detrimento dos restantes.

Reclamações podem chegar ao Tribunal Constitucional

O político revelou que as irregularidades identificadas já foram comunicadas aos órgãos internos do MPLA, aguardando agora por uma resposta formal e pela eventual correcção dos procedimentos contestados.

No entanto, advertiu que a ausência de uma solução poderá levar o caso para outras instâncias.

“À medida que o silêncio se faz sentir, as portas do Tribunal Constitucional vão-se abrindo cada vez mais para atender as reclamações”, declarou.

Denúncias de intimidação e aumento dos custos da candidatura

António Venâncio afirmou igualmente que a sua equipa, responsável pela recolha de subscrições em várias províncias do país, tem enfrentado dificuldades operacionais e alegadas ameaças de morte.

De acordo com o pré-candidato, as denúncias foram apresentadas às autoridades competentes, mas, passados cerca de 30 dias, ainda não foi obtida qualquer resposta.

O responsável referiu também que a campanha de recolha de apoios tem sido marcada por obstáculos organizativos e por um ambiente de receio entre alguns militantes.

“Ainda existem medos e reservas em subscrever candidaturas. Esta realidade acompanha a história do partido há várias décadas”, sustentou.

Venâncio acrescentou que as dificuldades registadas ao longo do processo provocaram um aumento significativo dos custos da sua candidatura, estimando que o orçamento necessário para as actividades em todo o território nacional tenha ultrapassado os 106 milhões de kwanzas.

Democratização interna como desafio

Durante a conferência de imprensa, António Venâncio sublinhou que a sua candidatura não deve ser interpretada apenas como uma disputa pela liderança do MPLA, mas como uma iniciativa voltada para o aprofundamento da democracia interna e para a defesa dos interesses dos cidadãos.

“Não estou a lutar para ser presidente do MPLA. Estou a lutar para ajudar os angolanos que enfrentam problemas de vária ordem. Os interesses da Nação estão em primeiro lugar”, afirmou.

O pré-candidato alertou ainda para os riscos que, na sua opinião, o processo de democratização do país poderá enfrentar caso o MPLA, partido que governa Angola desde a independência, não consiga reforçar os mecanismos de participação e pluralismo no seu funcionamento interno.

Questionado sobre o seu futuro político, António Venâncio admitiu a possibilidade de integrar outra formação política, desde que encontre espaço para desenvolver as ideias e propostas que defende, embora tenha reafirmado o seu empenho no actual processo interno do MPLA.

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