Segundo o director dos Serviços Antifraude, Manuel Jorge, a detecção foi possível graças à utilização de ferramentas de inteligência artificial, que permitiram identificar irregularidades nos dados declarativos dos contribuintes. O sistema emitiu alertas automáticos, fornecendo indícios considerados consistentes para o avanço das investigações.
De acordo com as autoridades, estão implicados no caso mais de cinco funcionários da AGT, além de um contribuinte. A denúncia foi formalmente apresentada aos órgãos de investigação criminal, que deverão agora dar seguimento ao processo.
Num comunicado divulgado recentemente, a AGT refere que os factos apurados indiciam práticas lesivas ao erário público, em clara violação dos princípios de legalidade, ética e probidade que regem a Administração Pública e, em particular, a actuação da administração fiscal.
A instituição sublinha que a sua capacidade de detecção e investigação de fraudes tem vindo a reforçar-se, resultado da melhoria dos mecanismos de controlo interno e da implementação de sistemas inteligentes de monitorização de riscos.
A AGT reafirma ainda uma postura de tolerância zero face a actos ilícitos, garantindo que continuará a actuar com rigor na responsabilização disciplinar e criminal de todos os envolvidos, independentemente da sua posição.
Este não é um caso isolado. Em anos recentes, a administração fiscal tem estado envolvida em outros escândalos, como o conhecido “caso dos 7 mil milhões”, relacionado com reembolsos indevidos do IVA. As investigações, iniciadas em 2025, revelaram a utilização indevida de acessos privilegiados por parte de funcionários seniores, que terão facilitado o desvio de fundos públicos através de operações fictícias.

