Sexta, 17 de Abril de 2026
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Sexta, 17 Abril 2026 16:12

FLEC apelou intervenção do Papa Leão XIV para promover diálogo sobre Cabinda

A Frente de Libertação do Estado de Cabinda (FLEC) denunciou hoje "a situação de injustiça" contra o povo daquela província angolana, apelando à intervenção do Papa Leão XIV, na sua vista a Angola, para "promover um diálogo sério".

A FLEC reivindica há vários anos a independência do território de Cabinda, província de onde provém grande parte do petróleo angolano, evocando o Tratado de Simulambuco, de 1885, que designa aquela parcela territorial como protetorado português.

No seu comunicado, a FLEC sublinhou que "a situação de injustiça prolongada e silenciada" continua a afetar o povo daquela província no norte de Angola.

O Papa Leão XIV chega no sábado a Luanda para uma visita de três dias a Angola, no quadro de um périplo de dez dias ao continente africano, que iniciou na Argélia, passando já pelos Camarões e com término na Guiné Equatorial, depois de Angola.

"A FLEC apela, assim, a uma intervenção moral firme de Sua Santidade, no sentido de promover um diálogo sério, transparente supervisionado pela Santa Sé, que conduza a uma solução política justa, pacífica e definitiva", lê-se no comunicado.

A organização independentista de Cabinda exortou também à Santa Sé a assumir "uma posição clara sobre Cabinda, incluindo uma condenação inequívoca das persistentes violações dos direitos humanos e interdição ao povo cabindês de decidir livremente o seu futuro".

Segundo a FLEC, décadas após o fim formal do colonialismo em África, a província de Cabinda "permanece um caso não resolvido, marcado por uma realidade política contestada e por um processo de descolonização que nunca foi concluído".

Para esta organização, este facto representa uma das contradições mais persistentes do sistema internacional contemporâneo, em clara contradição com os principios consagrados no direito dos povos à autodeterminação.

"Perante este contexto, a FLEC interpela diretamente Sua Santidade o Papa Leão XIV, enquanto referência moral global, para que não ignore esta realidade. O silêncio internacional em torno de Cabinda deixou de ser apenas uma omissão, mas tornou-se numa forma de complacência perante uma situação que continua a gerar sofrimento humano e frustração coletiva", destaca-se na nota.

No comunicado, a FLEC considerou que a visita do Papa a Angola "não pode deixar Cabinda na sombra".

"O povo de Cabinda implora por ser visto, ouvido e respeitado. A história julgará o silêncio, mas também reconhecerá a coragem daqueles que escolherem agir", vincou o comunicado.

"Num momento em que Sua Santidade o Papa Leão XIV visita Angola com uma mensagem de paz e reconciliação, a FLEC sublinha que não pode haver paz duradoura sem justiça. Ignorar Cabinda é perpetuar um conflito e negar a um povo o direito fundamental de ser ouvido", acrescenta-se no documento.

O programa de visita do Papa Leão XIV prevê além de Luanda, capital angolana, uma deslocação às províncias de Icolo e Bengo e da Lunda Sul.

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