A concentração, organizada pelo comité provincial de Luanda, teve lugar em Vila Alice, de onde os participantes desfilaram, a partir das 13:00, em direção à nova sede do secretariado provincial, num percurso de cerca de uma hora, que decorreu de forma tranquila e sem incidentes.
Ao longo do trajeto, o cortejo foi ganhando dimensão, com a adesão de mais participantes, numa iniciativa que, segundo o secretário provincial da União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA) em Luanda, Adriano Sapiñala, visou assinalar a data e reforçar a mobilização política.
“Viemos para reabrirmos a nossa sede provincial, de um lado. Do outro lado, marcarmos o ato provincial dos 60 anos do nosso partido”, afirmou, sublinhando que as celebrações decorrem em simultâneo em todo o país.
Sapiñala afirmou ainda que a iniciativa constituiu uma “demonstração de força”, num momento em que o partido procura afirmar-se como alternativa política nas eleições gerais que vão realizar-se em 2027.
“É importante, de quando em quando, fazermos esses atos, para dizer que a UNITA não está distraída, muito menos desamparada”, disse, acrescentando que o partido “vai lutar para o primeiro lugar”.
A UNITA venceu pela primeira vez em Luanda nas eleições gerais de 2022 e quer reforçar o seu peso político na capital.
Durante a marcha, ativistas que tinham tentado organizar uma outra manifestação, apelando à libertação de presos políticos, entretanto impedida pela polícia, aproveitaram a “boleia” da UNITA para reiterar as suas reivindicações.
O dirigente da UNITA manifestou solidariedade com os organizadores da iniciativa, com Sapiñala a declarar “total solidariedade” à organização, considerando não haver razões para o impedimento.
Segundo Sapiñala, a UNITA manteve contactos prévios com as autoridades para garantir a realização das iniciativas, sublinhando que não existiam motivos para o impedimento da outra marcha, já que houve reuniões com a polícia para ajustar o percurso e evitar sobreposição de atividades.
O dirigente disse que o partido aceitou alterar o itinerário inicialmente previsto a pedido das autoridades, para não coincidir com a manifestação dos ativistas, razão pela qual disse ter ficado “surpreso” com a decisão de impedir o protesto.
“Eu sei que a polícia é usada para impedir, mas a decisão não é da polícia, é política”, afirmou, apelando aos decisores para respeitarem o direito à manifestação consagrado na Constituição.
O político considerou ainda que existem presos políticos em Angola, defendendo que os detidos estão a ser punidos por “delito de opinião” e criticando o que classificou como um “estado de policiamento permanente contra os cidadãos e os seus direitos”.
Sapiñala criticou igualmente propostas legislativas do Executivo, como a chamada lei das ‘fake news’, que, segundo disse, visam “coartar as liberdades aos cidadãos” e contradizem a Constituição.
Entre os participantes, as principais preocupações centravam-se no aumento do custo de vida com alguns a comentarem que “o país está mal”, enquanto outros lamentavam que Angola seja um país rico, mas com salários baixos.
Cândido João Mundo, que participou nas comemorações, destacou a “alegria” do momento, considerando tratar-se de uma demonstração da força da UNITA em todo o país, mas lamentou que os angolanos estejam “a passar mal” e defendeu que o partido constitui uma alternativa “para ver se Angola muda”.
O militante alertou ainda para o aumento da criminalidade entre jovens, afirmando que muitos estão a enveredar pela “bandidagem”, e considerou que, com a UNITA no poder, “muita coisa vai mudar” e “não vai haver gatunice”.
Já Rosa Sessenta, vendedora ambulante, apontou o aumento dos preços dos produtos alimentares e as dificuldades enfrentadas pelas mulheres, que “são pai, são mãe, solteiras, viúvas”, referindo que, quando tentam trabalhar, “levam chicote da polícia”.
“O problema que temos neste país é que o MPLA não presta atenção”, afirmou, defendendo que a UNITA pretende trabalhar com todos os partidos e unir os angolanos.
Além da marcha da UNITA e da tentativa de manifestação dos ativistas, o Governo Provincial de Luanda promoveu também uma iniciativa alusiva ao mês da mulher, que, segundo um comunicado oficial, reuniu mais de 100 mil participantes, incluindo representantes religiosos.
De acordo com o mesmo documento, o governador provincial de Luanda, Luís Nunes, manifestou preocupação com o aumento de comportamentos desviantes entre a juventude e defendeu a necessidade de respostas baseadas na prevenção, educação, celeridade da justiça e aplicação de sanções exemplares, sublinhando ainda a importância de reforçar a confiança nas instituições e garantir proteção às mulheres e famílias em situação de vulnerabilidade.

