Mais conhecido por “profeta Israel”, Nelson Fernando Sampaio, de 53 anos de idade, foi detido em princípio do ano em curso, sob a acusação de agressão sexual entre 2022 e 2025, a fiéis do "ministério de louvor da congregação", que à data dos factos tinham entre 15 e 16 anos de idade.
O cidadão em causa é casado e tem 10 filhos (dos quais três menores de idade). Natural de Luanda, residia no município da Palanca (província da Huíla), até à data dos factos.
A congregação começou a funcionar em Luanda, em 2009, e está no município da Palanca desde 2020 como ministério, numa estrutura erguida com chapas de zinco.
A sessão inicial do processo 702/2026-D estava prevista para esta quarta-feira, mas foi adiada para o dia seguinte, em função da ausência do arguido por supostamente não ter sido notificado para comparecer no tribunal.
O julgamento que tem como juiz Agnaldo Bartolomeu e a acusação a ser representada pela magistrada Sydney Siculino, está a decorrer com acesso limitado ao público e a imprensa, em função de ser um crime contra a liberdade e auto-determinação sexual.
Ao ser interrogado, nessa fase de produção de provas, o arguido admitiu conhecer as seis ofendidas, mas alega não se lembrar do período concreto em que começaram a frequentar o seu ministério.
O pastor negou ter mantido relações sexuais com as vítimas. No entanto, admitiu que esteve a sós com as mesmas em diversos momentos, tanto no seu escritório na congregação, como no matagal onde estava instalado o templo.
Sobre o que abordavam em tais encontros, Nelson Sampaio disse que falavam de tudo um pouco, para solucionar problemas por elas apresentados, pois mantinham um relacionamento não só entre pastor e membros, mas de “pai para filhas”.
Quanto as acusações, o pastor considerou serem falsas e que estava a ser incriminado por ser “alvo espiritualmente a abater” na região por outros líderes religiosos, políticos e empresários.
Afirmou que tinha um programa religioso numa emissão local que abordava tais questões para desmitificar e afrontar o que a Bíblia condena como práticas demoníacas, atitude que lhe teria valido mais de 10 envenenamentos, em função da frontalidade com que lidava com a situação.
A sessão continua com o interrogatório das seis lesadas, enquanto a imprensa foi convidada a retirar-se em função da tipicidade criminal. Para esta sexta-feira, a audiência está reservada para as testemunhas e declarantes no processo.

