A sociedade civil angolana deve preparar-se para assumir um papel mais activo no processo eleitoral de 2027, incluindo a possibilidade de mobilização nas ruas, sem depender da convocação dos partidos políticos. A posição foi defendida durante o primeiro dia do Fórum do Cidadão, realizado em Luanda por iniciativa do Movimento Cívico TODOS.
O encontro reuniu activistas, líderes comunitários e representantes de organizações da sociedade civil para discutir os principais desafios políticos, sociais e económicos do país, com particular atenção para a participação dos cidadãos no próximo processo eleitoral.
Entre as figuras presentes estiveram o General Paca, o mais-velho Soba Grande Tiago e o líder do Protetorado Lunda Tchokwe, Zeca Muxima, além de representantes de várias organizações cívicas.
"Não podemos esperar que seja um político a apitar"
O principal recado saído do primeiro dia foi o de que a sociedade civil pretende manifestar-se nas ruas em 2027, sem depender da convocação dos partidos políticos.
O activista Jaime MC defendeu o recurso à desobediência civil como instrumento de pressão pacífica, invocando exemplos históricos da acção não-violenta, como os da Índia, dos Estados Unidos, com Martin Luther King, e da África do Sul. Apontou ainda os protestos registados na África do Sul e em Moçambique, nos últimos anos, como prova da força da mobilização popular.
"Nós não podemos esperar que seja um político a apitar", afirmou, sustentando que os cidadãos não devem ficar à espera de líderes partidários para defender os seus direitos. "Cada um de nós tem de ser responsável pelo seu voto", concluiu.
A mensagem surge num contexto de discussão sobre a necessidade de reforçar a participação dos cidadãos no acompanhamento do processo eleitoral, desde a preparação das eleições até à fiscalização dos resultados.
O activista sustentou que a sociedade não deve depositar exclusivamente nas lideranças políticas a responsabilidade pela defesa dos seus interesses.
General Paca apela à paz e à fiscalização do voto
Também o general Paca marcou a sua posição, apelando à sociedade civil para que evite quaisquer actos de violência em 2027 e sublinhando a importância da paz. Antigo guerrilheiro do MPLA, incentivou os jovens a envolverem-se activamente na defesa e na fiscalização do processo eleitoral, reforçando o seu papel na garantia da transparência e da integridade do voto.

