Falta apenas um ano para João Lourenço concluir o seu mandato como Presidente da República de Angola. Com esse horizonte cada vez mais próximo, torna-se inevitável olhar para trás e avaliar o legado de uma governação iniciada em 2017, envolta numa enorme expectativa de mudança.
Os acontecimentos registados desde a madrugada do dia 28 vieram demonstrar que o sector das telecomunicações deixou de ser apenas um serviço de comunicação. Hoje, constitui uma das infra-estruturas mais importantes para o funcionamento da economia, das instituições públicas e da vida quotidiana dos cidadãos.
O ataque cibernético que paralisou durante várias horas a rede da Unitel não foi apenas um incidente tecnológico. Foi um sério aviso sobre a vulnerabilidade estrutural da economia angolana e uma demonstração de que a transformação digital do país continua assente em bases frágeis.
Há quem sustente que as eleições internas do MPLA dizem respeito exclusivamente aos seus militantes. À primeira vista, esse argumento parece fazer sentido: cada partido político deve ser livre de escolher os seus dirigentes sem interferências externas. Contudo, em Angola, essa leitura ignora uma realidade incontornável.
Num Estado de direito democrático, cada órgão e organismo da Administração Pública exerce competências próprias, definidas por lei, com o objectivo de assegurar o bom funcionamento do Estado e a concretização das políticas públicas aprovadas pelo Executivo.