De acordo com fontes conhecedoras da operação, citadas pelo The New York Times, a nova estrutura permitirá concentrar recursos financeiros, tecnológicos e humanos nas operações relacionadas com Cuba, com o objetivo de incentivar alterações económicas, políticas e na liderança do país, em linha com as prioridades definidas pelo Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
A decisão coincide com o anúncio de um novo pacote de sanções por parte de Washington. Entre os alvos encontram-se o ministro das Forças Armadas Revolucionárias de Cuba, general Álvaro López Miera, outros responsáveis do regime e cinco empresas ligadas ao setor industrial militar cubano.
Segundo as mesmas fontes, a força-tarefa já começou a integrar oficiais especializados no recrutamento e gestão de informadores, analistas de informações, especialistas em ciberoperações e elementos dedicados a operações encobertas de influência. A criação desta estrutura deverá permitir à CIA responder com maior rapidez às prioridades definidas para a política norte-americana em relação a Cuba.
Embora a iniciativa recorde a força-tarefa criada pela agência em 1960, responsável pela preparação da Invasão da Baía dos Porcos — a operação militar apoiada pelos Estados Unidos que terminou com um fracasso em 1961 —, as fontes sublinham que o atual mandato é substancialmente diferente.
Em vez de preparar uma ação militar, a missão da nova unidade passará por explorar divisões no interior da elite política cubana, procurando favorecer o surgimento de dirigentes considerados mais pragmáticos e potencialmente mais disponíveis para uma aproximação a Washington, em detrimento das figuras mais alinhadas com a linha política tradicional do regime.
A CIA recusou comentar as informações sobre a criação da força-tarefa.
Do lado cubano, a reação foi de crítica. Em declarações ao The New York Times, o vice-ministro dos Negócios Estrangeiros, Carlos Fernández de Cossío, afirmou que Cuba tem sido, durante décadas, alvo de operações de espionagem e desestabilização promovidas pelos Estados Unidos.
"As intenções aqui não constituem qualquer surpresa, uma vez que Cuba tem sido, há muito tempo, alvo de ações da CIA de espionagem, subversão e desestabilização, incluindo terrorismo", afirmou o diplomata. "Ainda assim, o Departamento de Estado tem a audácia de classificar Cuba como uma ameaça por exercer o seu direito à legítima defesa."
As novas medidas refletem um endurecimento da estratégia norte-americana em relação a Havana, combinando sanções económicas com um reforço das capacidades de recolha de informações e de influência política. A evolução surge num momento em que Cuba continua a enfrentar uma profunda crise económica, marcada pela escassez de bens essenciais, pela inflação e pelo aumento da emigração, fatores que têm agravado a pressão sobre o regime cubano.

