Manuel Tiago Dias falava na conferência comemorativa do 50.º aniversário do Banco Nacional de Angola (BNA), que decorre hoje, em Luanda, para refletir sobre o papel dos bancos centrais na promoção da desinflação sustentável e credibilidade da política monetária.
A política monetária do banco central “materializa-se através do sistema financeiro, por via do qual as suas decisões são transmitidas à economia”, afirmou hoje o responsável na abertura da Conferência Internacional sobre Desinflação Sustentável e Credibilidade da Política Monetária, alusiva às celebrações dos 50 anos do BNA.
Tiago Dias argumentou que a “desaceleração consistente” da inflação permitiu iniciar de forma prudente a flexibilização da política monetária, “mantendo-se, no entanto, a taxa de juro real de política em níveis positivos”.
Abordando o percurso de cinco décadas do BNA, Tiago Dias fez saber que no domínio da política monetária a instituição que dirige registou transformações profundas, realçando que este órgão passou de uma banca predominantemente estatal e centralizada para um sistema financeiro mais diversificado, regulado e resiliente.
Relativamente ao Produto Interno Bruto (PIB) do país, o governador reafirmou que o Comité de Política Monetária do banco reviu em alta a projeção do crescimento económico para 2026, estabelecendo-a em 6,15%.
Observou, no entanto, que o desafio do país vai além de crescer: “Precisamos de crescer de forma sustentada, produtiva e com capacidade de gerar empregos”, apontou, referindo que é neste contexto que a evolução da inflação assume particular relevância.
A inflação homóloga desceu de 27,5% em 2024 para 15,7% em dezembro de 2025, recordou, destacando ainda a desaceleração da inflação há mais de um ano e que desde julho estabeleceu-se num dígito, sendo que em setembro situou-se em 8,43%, face aos 18,16% do ano anterior.
O BNA projeta uma inflação em torno de 8% para final de 2026, salientou o governador, dando nota que este resultado (da queda da inflação) não foi alcançado por atalhos.
“Resultou de uma política monetária rigorosa associada a uma comunicação orientada para a ancoragem das expectativas de inflação”, disse.
Por outro lado, deu a conhecer que o sistema financeiro angolano conta com 22 bancos comerciais em operação atualmente, com desafios de desempenhar efetivamente o seu papel de catalisador da economia através da concessão de crédito, direcionando os recursos para setores estratégicos, “sem comprometer a qualidade dos ativos nem a estabilidade financeira”.
Enumerou a consolidação da inflação de um dígito, diversificação da economia, aprofundar os mercados cambial, monetário e de capitais, reconstruir amortecedores macroeconómicos, ampliar a inclusão financeira e acompanhar a inovação com uma supervisão do sistema financeiro à altura como alguns dos desafios do setor.
“E precisamos, sobretudo, de continuar a investir nas pessoas, porque um banco central é também aquilo que os seus quadros são capazes de construir, transformar e deixar legado”, sustentou o responsável.
Por fim, afirmou que passados 50 anos, a administração do BNA continua a ser orientada por uma convicção de que “a soberania monetária não é um ponto de chegada, mas uma tarefa diária que se cumpre com rigor, responsabilidade e confiança”.
A conferência que celebra os 50 anos do BNA reúne em Luanda governadores dos bancos centrais, políticos, governantes, membros do Conselho de Supervisores do Sistema Financeiro, gestores, quadros sérios de instituições financeiras, académicos e especialistas nacionais e internacionais.

