Quinta, 05 de Novembro de 2026
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Quinta, 05 Novembro 2026 14:46

Adalberto propõe três instituições de formação petrolífera em Cabinda, do ensino médio ao doutoramento

O presidente da UNITA, Adalberto Costa Júnior, defende a criação de um polo nacional e internacional de formação, investigação e inovação na indústria petrolífera em Cabinda, com instituições de ensino que vão desde o nível médio até à pós-graduação e ao doutoramento.

A proposta foi apresentada pelo líder do maior partido da oposição, numa reflexão diária publicada na sua pagina, na qual considera existir uma «injustiça silenciosa» que afecta a província há mais de cinco décadas: apesar do seu peso na produção petrolífera nacional, Cabinda continua sem instituições públicas especializadas na formação de técnicos e engenheiros de petróleos.

Segundo Adalberto Costa Júnior, a província produz cerca de 700 mil barris de petróleo por dia, aproximadamente 60% da produção nacional, mas não dispõe de um instituto médio público de petróleos nem de um instituto superior de engenharia de petróleos.

Na sua análise, esta realidade obriga muitos jovens de Cabinda a deslocarem-se para outras províncias, como o Sumbe e Luanda, ou para o estrangeiro, para obterem formação numa indústria que considera fundamental para a economia local e nacional.

Perante este cenário, o presidente da UNITA apresenta um plano que prevê a criação de três estruturas de formação e investigação. A primeira é o Instituto Médio de Petróleos de Cabinda, destinado à formação de técnicos em áreas como perfuração, produção petrolífera, geologia, processamento de gás, manutenção industrial e instrumentação.

A segunda iniciativa passa pela criação do Instituto Superior de Engenharia de Petróleos de Cabinda, para formar engenheiros de petróleos, geólogos e especialistas em energia, com currículos alinhados com os padrões e as exigências da indústria internacional.

O terceiro eixo contempla a instalação de um Centro de Investigação, Pós-Graduação e Doutoramento, vocacionado para a produção científica, desenvolvimento tecnológico e formação de mestres e doutores capazes de assumir responsabilidades na transformação do sector energético angolano.

Adalberto Costa Júnior sublinha que o projecto não deverá limitar-se à construção de infra-estruturas, defendendo a criação de laboratórios modernos, contratação de professores qualificados, atribuição de bolsas de estudo, estágios em plataformas petrolíferas e estabelecimento de parcerias com instituições internacionais de referência.

Entre as entidades académicas e empresariais mencionadas na proposta estão o Massachusetts Institute of Technology (MIT), a Universidade Norueguesa de Ciência e Tecnologia (NTNU), a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e a PETRONAS, da Malásia.

O dirigente da UNITA pretende igualmente envolver directamente as operadoras petrolíferas CABGOC, Azule Energy e Sonangol no processo de formação, através de oportunidades de aprendizagem, estágios e integração profissional dos jovens.

Na reflexão, o líder partidário defende que os benefícios da exploração petrolífera devem ir além da extracção de recursos naturais, traduzindo-se também em conhecimento, emprego, investigação científica, desenvolvimento de empresas nacionais e oportunidades para a juventude.

O presidente da UNITA responsabiliza o MPLA pela ausência deste investimento ao longo das últimas décadas e apresenta a proposta como uma inversão das prioridades de desenvolvimento da província.

«O MPLA teve décadas para fazer esta transformação. Não o fez. Nós faremos!», afirmou, ao apresentar a iniciativa como parte da visão da UNITA para Cabinda.

A ambição anunciada passa ainda por transformar a província num centro de formação com dimensão regional e internacional, capaz de receber estudantes de diferentes pontos de Angola, bem como da República Democrática do Congo, do Congo-Brazzaville, da Namíbia e de outros países africanos.

«Cabinda não pode continuar a ser apenas uma província de onde sai petróleo. Tem de ser também uma província onde nascem engenheiros, cientistas, investigadores e líderes da indústria energética», defendeu Adalberto Costa Júnior.

A proposta coloca a formação de quadros nacionais, a investigação e a transferência de conhecimento no centro do debate sobre o aproveitamento dos recursos petrolíferos e o desenvolvimento económico de Cabinda.

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