Sexta, 08 de Mai de 2026
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Sexta, 08 Mai 2026 11:01

Irene Neto poderá disputar liderança do MPLA no congresso de Dezembro

Irene Neto, médica, antiga deputada e filha do primeiro Presidente de Angola, António Agostinho Neto, admite avançar para a corrida à liderança do MPLA no Congresso Ordinário do partido, marcado para os dias 9 e 10 de Dezembro deste ano. A possibilidade surge numa altura em que o debate em torno da sucessão de João Lourenço ganha cada vez maior expressão no seio do partido no poder.

“Estou a ponderar a candidatura”, revelou Irene Neto, assegurando que conta com apoio de “vários sectores da sociedade angolana”, incluindo dirigentes e militantes do MPLA. A também antiga vice-ministra das Relações Exteriores para a Cooperação garante, contudo, que qualquer decisão será tomada “com serenidade”, no momento que considerar adequado.

Segundo afirmou, antes mesmo de ser anunciada a data do congresso, no ano passado, já tinha manifestado disponibilidade para entrar na disputa pela liderança do partido dos “camaradas”.

“Esta disponibilidade não desapareceu só porque o congresso foi marcado para o último mês do ano”, declarou, acrescentando que a decisão final será anunciada em conferência de imprensa e que a comunicação social angolana será a primeira a ser informada.

Com 64 anos, Irene Neto possui um percurso político e institucional relevante em Angola. Médica de formação, foi deputada à Assembleia Nacional durante várias legislaturas e desempenhou funções governativas, além de manter ligação a iniciativas sociais e à preservação do legado político do seu pai, figura histórica da independência angolana e fundador do MPLA.

A eventual candidatura de Irene Neto junta-se aos nomes já apontados à sucessão interna no MPLA, entre os quais o general Higino Carneiro, António Venâncio e José Carlos de Almeida, num processo que deverá intensificar-se à medida que se aproxima o congresso partidário.

O analista político Nsolé Pedro considera que a entrada de Irene Neto poderá introduzir uma nova dinâmica no debate interno do MPLA.

“Trata-se de um momento potencialmente inédito, ao colocar uma mulher na disputa pela liderança do partido, num contexto marcado pela forte carga simbólica do apelido Neto na história política angolana”, observou.

A possível candidatura surge igualmente envolta em atenção mediática devido à situação judicial do marido de Irene Neto, o empresário Carlos Manuel de São Vicente. Detido em Setembro de 2020, São Vicente foi condenado, em Março de 2022, a nove anos de prisão efectiva pelos crimes de peculato, fraude fiscal e branqueamento de capitais.

A acusação sustentou-se no alegado desvio de cerca de $ 900 milhões de dólares da petrolífera Sonangol, enquanto o empresário liderava o grupo AAA.

Irene Neto tem defendido publicamente o marido, considerando o processo politicamente motivado, e criticou a exclusão de Carlos São Vicente dos indultos presidenciais concedidos em 2024 e 2025. No âmbito do processo, as autoridades angolanas procederam igualmente à apreensão de vários bens do empresário, entre os quais o edifício IRCA, em Luanda.

A sucessão de João Lourenço continua a ser um dos temas centrais no interior do MPLA, sobretudo numa fase em que o país se aproxima das eleições gerais de 2027. Neste contexto, a eventual entrada de Irene Neto na corrida poderá reconfigurar alianças e estratégias internas, reabrindo um debate que alguns sectores do partido consideravam relativamente estabilizado.

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