Segunda, 15 de Junho de 2026
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Segunda, 15 Junho 2026 15:34

Especialista diz que subida do gasóleo não justifica aumento das tarifas dos transportes

O especialista em energia José Oliveira considerou hoje que o aumento do preço do gasóleo em Angola não justifica quaquer subida nas tarifas de transporte e alertou para o impacto da guerra no agravamento da dívida do Estado à Sonangol.

"Estamos a chegar ao limite do preço dos combustíveis e temos de resolver o problema dos transportes públicos nas grandes cidades", defendeu, sublinhando que os trabalhadores não têm capacidade financeira para suportar os custos de mobilidade: "É o grande drama deste país", frisou.

O especialista falou à Lusa à margem do debate "África e o Mundo - Repensar o Presente e Redefinir o Futuro", organizado pela organização Pensar Global.

O litro do gasóleo em Angola subiu 20 kwanzas na sexta-feira, passando de 400 kwanzas (0,37 euros) para 420 kwanzas (0,39 euros), um aumento de 5%, anunciou o Instituto Regulador dos Derivados do Petróleo (IRDP), que manteve inalterados os preços da gasolina, do petróleo iluminante e do gás de petróleo liquefeito (GPL).

Desde abril de 2024, o preço do gasóleo sofreu quatro ajustes no quadro da política de retirada gradual dos subsídios aos combustíveis iniciada pelo Governo em junho de 2023: em abril de 2024 subiu 48%, de 135 para 200 kwanzas; em março de 2025 aumentou 50%, para 300 kwanzas; em julho de 2025 subiu 33%, para 400 kwanzas e no passado sábado, 13 de junho, registou o aumento mais moderado, de 5%, para os atuais 420 kwanzas.

"O aumento é muito pequeno, não traz impactos", afirmou, acrescentando que se o objetivo era reduzir o valor dos subsídios, "devia-se ter feito na gasolina, que tem muito menos impacto económico".

"Nem o candongueiro [miniautocarros de transporte coletivo] tem de aumentar, porque não se justifica, não há razão para isso", disse, admitindo que apenas "os camiões nas grandes viagens possam ter algum ajuste a fazer".

José Oliveira assinalou que o gasóleo é o combustível mais utilizado na agricultura e na indústria, e alertou para o agravamento da situação financeira da Sonangol caso o Estado não liquide a dívida acumulada.

O especialista assinalou que, este ano, os combustíveis estão mais caros devido ao contexto de guerra, o que tende a agravar a dívida do Estado à petrolífera estatal Sonangol.

"Se o Estado continuar a não pagar absolutamente nada à Sonangol da dívida, a situação financeira da Sonangol fica mais débil", advertiu.

Também ouvido pela Lusa no mesmo evento, o analista e ativista social Fernando Pacheco considerou que aumentos menos significativos provocam menos sobressaltos sociais.

"Se é verdade que os subsídios têm de acabar, têm de ser eliminados, também é verdade que o preço não pode subir da maneira como tem vindo a ser feito", comentou, considerando que o aumento mais recente não foi significativo.

"É exatamente isso que me parece que tem faltado noutras circunstâncias. Se o Governo continuar a fazer assim, eu penso que não vai haver os sobressaltos que infelizmente houve no passado", concluiu.

As associações de taxistas já garantiram que o preço das corridas de táxi não vão sofrer alterações.

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