Segunda, 05 de Outubro de 2026
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Segunda, 05 Outubro 2026 15:24

Estado gastou mais 83,3 milhões de dólares do que o previsto em viagens e transportação

O Estado angolano gastou 183,3 mil milhões de kwanzas, cerca de 200 milhões de dólares, em encargos com viagens em serviço e transportação em 2025, um valor 71,6% acima do montante inicialmente previsto no Orçamento Geral do Estado (OGE). A execução ficou 76,5 mil milhões de kwanzas, ou 83,3 milhões de dólares, acima da dotação orçamental, segundo cálculos com base na Conta Geral do Estado (CGE).

A despesa nesta rubrica aumentou também face a 2024. No ano passado, o Estado gastou mais 49,1 mil milhões de kwanzas, cerca de 53,5 milhões de dólares, do que no exercício anterior, quando os encargos com viagens em serviço e transportação totalizaram 134,2 mil milhões de kwanzas, aproximadamente 150 milhões de dólares. O aumento homólogo foi de 36,6%.

O valor executado em 2025 ficou muito acima dos 106,8 mil milhões de kwanzas, equivalentes a cerca de 116,3 milhões de dólares, inscritos inicialmente no OGE para esta classe de despesas. Na prática, por cada 100 kwanzas previstos, foram liquidados cerca de 172 kwanzas.

A maior pressão sobre esta rubrica veio dos subsídios de deslocação. O OGE previa uma dotação de 39,7 mil milhões de kwanzas, cerca de 43,3 milhões de dólares, mas a execução ultrapassou os 129 mil milhões de kwanzas, equivalentes a 140,5 milhões de dólares.

A despesa com subsídios de deslocação foi, assim, mais de três vezes superior ao valor orçamentado. Em termos absolutos, foram gastos mais 89,3 mil milhões de kwanzas, ou 97,3 milhões de dólares, do que o inicialmente previsto.

Face a 2024, esta componente registou igualmente um crescimento expressivo. A despesa passou de 83,3 mil milhões de kwanzas, cerca de 90,8 milhões de dólares, para mais de 129 mil milhões de kwanzas em 2025, uma subida de 54,9%.

Bilhetes de passagem também acima do previsto

Os encargos com bilhetes de passagem seguiram a mesma tendência, embora com um desvio bastante inferior ao registado nos subsídios de deslocação.

Para esta componente, o OGE previa uma despesa de 36,9 mil milhões de kwanzas, aproximadamente 40,3 milhões de dólares. No final do exercício, foram liquidados 41,4 mil milhões de kwanzas, cerca de 45,1 milhões de dólares.

A diferença foi de 4,4 mil milhões de kwanzas, equivalentes a 4,8 milhões de dólares, correspondendo a um desvio de cerca de 12% face ao orçamento.

Na comparação anual, a subida foi ainda mais significativa. Em 2024, a despesa com bilhetes de passagem tinha sido de 28,5 mil milhões de kwanzas, cerca de 31,1 milhões de dólares. Em 2025, atingiu 41,4 mil milhões de kwanzas, representando um crescimento de 45,3%.

Rendas de imóveis ficam abaixo da previsão

Nem todas as componentes da rubrica registaram aumentos. As rendas de imóveis apresentaram uma execução significativamente inferior à verba inscrita no orçamento.

O OGE previa 33,23 mil milhões de kwanzas, cerca de 36,2 milhões de dólares, para esta despesa, mas foram liquidados apenas 15,7 mil milhões de kwanzas, aproximadamente 17,1 milhões de dólares.

A execução correspondeu a 47,3% da dotação orçamental, ficando 17,5 mil milhões de kwanzas, cerca de 19 milhões de dólares, abaixo do valor previsto.

Ainda assim, em termos homólogos, a despesa com rendas de imóveis aumentou. Em 2024, foram consumidos 13,5 mil milhões de kwanzas, equivalentes a cerca de 14,7 milhões de dólares, dos 25,3 mil milhões de kwanzas inscritos no orçamento.

Transportação de pessoas e bens cai 42,4%

Também os serviços de transportação de pessoas e bens contribuíram para reduzir a execução de algumas componentes da rubrica.

A despesa nesta área passou de 22,4 mil milhões de kwanzas em 2024 para 12,9 mil milhões de kwanzas em 2025, uma redução de 9,5 mil milhões de kwanzas, correspondente a uma queda de 42,4%.

A rubrica de encargos com viagens em serviço e transportação inclui, além dos bilhetes de passagem e dos subsídios de deslocação, despesas relacionadas com serviços de transportação de pessoas e bens, encargos aduaneiros e portuários, rendas de imóveis e outros serviços.

Os dados mostram, assim, que a derrapagem global da despesa foi sobretudo influenciada pelo comportamento dos subsídios de deslocação, cuja execução ultrapassou largamente a dotação inicialmente inscrita no Orçamento Geral do Estado.

Em 2025, o Estado acabou por gastar cerca de 200 milhões de dólares nesta classe de despesas, contra os aproximadamente 116,3 milhões de dólares inicialmente previstos, resultando num acréscimo de 83,3 milhões de dólares face ao orçamento.

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