Quinta, 03 de Setembro de 2026
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Quinta, 03 Setembro 2026 20:36

“Não façam mais o que fizeram”: Adalberto Costa Júnior apela à polícia no Uíge

O líder da UNITA, Adalberto Costa Júnior, apelou hoje, no Uíge, para que não se repitam este fim de semana os confrontos entre polícia e militantes de 08 de agosto, de que resultaram vários feridos.

A Unidade Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA) regressou hoje ao Uíge, onde reúne, na sexta-feira, o Comité Permanente na preparação para as eleições gerais de 2027.

A caminho do local, o presidente do partido, Adalberto Costa júnior publicou um vídeo nas redes sociais em que explica que este regresso é “para fazer o encerramento de uma jornada que ficou incompleta”, numa referência aos acontecimentos de 08 de agosto.

A data ficou marcada pela intervenção da polícia que dispersou os militantes da UNITA reunidos num evento da juventude do partido, a JURA, e para uma homenagem ao fundador, Jonas Savimbi, que foi adiada.

“Não se despeçam de nós como fizeram no dia 09, não se despeçam de nós daquela maneira, não façam mais o que fizeram aqui durante aquele fim de semana”, apelou, num comício de rua, registado num vídeo divulgado, também, nas redes sociais do líder do partido.

Adalberto Costa Júnior lembrou que quando a comitiva da UNITA saiu do Uíge a 09 de agosto, rejeitou o acompanhamento da polícia por considerar que “não era verdadeiro” depois dos acontecimentos do dia anterior.

“Um dia não nos podem agredir e no outro dia, vão-nos acompanhar de saída”, disse, acrescentando que hoje foram bem recebidos à chegada e apelando para que seja da mesma forma na saída, estando previsto o regresso a Luanda no sábado.

“Nós voltamos ao Uíge porque nós tínhamos mesmo que voltar ao Uíge, e nós não podíamos deixar passar muito tempo sem regressarmos”, continuou, sublinhando que a razão mais importante é fazer naquele local “a reafirmação do Estado Democrático de Direito”.

O líder da UNITA vincou que o Estado são todos os angolanos, “é uma entidade plural”.

“E nós tínhamos que vir aqui ao Uíge para dizer-vos que Angola, este país maravilhoso, esta diversidade, este conjunto de etnias ricas, de culturas ricas, tem também uma dimensão que o representa que é a pluralidade partidária, a multiplicidade de partidos, todos com direito de exercício público das suas funções, da sua representatividade e da obrigatoriedade do respeito por essa pluralidade”, afirmou.

Para o líder, a UNITA tinha que regressar para evitar fazer do caminho para as eleições de 2027, “um caminho de violência, de intolerância, de rejeição, de brutalidade”.

“Não é a nossa opção, nunca foi e nunca será”, declarou, garantindo que “a violência que aconteceu aqui no dia 08 de agosto não teve a UNITA como participante”.

Adalberto Costa Júnior voltou a classificar esses acontecimentos de “violência completamente gratuita”.

Pelos menos 31 pessoas ficaram feridas, a 08 de agosto, durante a intervenção da polícia junta à sede no Uíge, onde o partido acabou por cancelar uma cerimónia para assinalar o 92.º aniversário do fundador, Jonas Savimbi.

A UNITA apresentou queixas-crime contra o governador do Uíge e o comandante provincial da Polícia Nacional, enquanto aquela força de segurança acusou o partido de fazer uso político do incidente.

Menos de um mês depois, o Comité Permanente reúne-se sob o lema “Com Unidade e Inclusão, Realizar a Alternância do Poder em 2027, UNITA — a Esperança dos Angolanos” para analisa a situação política, social e económica do País, segundo divulgou o partido.

De acordo com a informação disponibilizada, a reunião, desta sexta-feira, servirá também para fazer o balanço do desempenho durante os meses de junho, julho e agosto do partido, que tem como meta vencer o Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), no poder desde a independência, há mais de meio século.

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