Segunda, 27 de Abril de 2026
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Segunda, 27 Abril 2026 19:30

Higino Carneiro avança com manifesto e posiciona-se como candidato estruturado à liderança do MPLA

O general Higino Carneiro deu um passo significativo rumo à liderança do MPLA, ao avançar com um manifesto eleitoral estruturado que sustenta a sua candidatura ao congresso ordinário previsto para 2026. A análise foi destacada pelo Jornalista Carlos Rosado de Carvalho, da Rádio MFM 91.7, que sublinhou o “profissionalismo” e a preparação evidenciados no documento.

Com cerca de 60 páginas, o manifesto apresenta um conjunto alargado de propostas centradas na inclusão e na construção de consensos nacionais. Entre os pontos mais relevantes está a criação de um “Pacto Nacional para o Futuro”, uma iniciativa que pretende envolver partidos políticos — incluindo a oposição —, sociedade civil e igrejas, com o objectivo de alcançar entendimentos em sectores estruturais como a educação, a saúde e a economia.

A proposta surge num contexto em que outras forças políticas, como a UNITA, também têm defendido soluções semelhantes, baseadas em consensos alargados para enfrentar os principais desafios do país. “Nos últimos anos, várias personalidades públicas têm igualmente insistido na necessidade de acordo sobre matérias de Estado, sem pôr em causa a natural disputa política entre partidos.”

Segundo a análise, o discurso de Higino Carneiro assume um tom conciliador e de abertura, ao defender que, em caso de vitória, pretende governar com base nos “melhores quadros angolanos”, independentemente da sua filiação partidária. Esta abordagem aproxima-se, em vários aspectos, da agenda inicialmente apresentada pelo actual Presidente da República, João Lourenço, aquando da sua chegada ao poder em 2017, marcada por promessas de reconciliação nacional, maior liberdade e abertura política.

No entanto, permanece a incerteza quanto a uma eventual recandidatura de João Lourenço à liderança do MPLA, cenário que poderá definir o grau de competitividade interna no partido. Ainda assim, a entrada de Higino Carneiro é vista como a emergência de um adversário de peso, com uma estratégia de comunicação já bem delineada.

Apesar do lançamento formal do manifesto, levantam-se dúvidas sobre a visibilidade mediática da candidatura, sobretudo nos órgãos públicos. De acordo com Carlos Rosado de Carvalho, a utilização das redes sociais tem sido uma das principais ferramentas do candidato, mas poderá não ser suficiente num contexto em que a televisão continua a desempenhar um papel determinante na formação da opinião pública.

“O que não passa na televisão, não existe”, sublinha o analista, apontando para a necessidade de igualdade de oportunidades no acesso aos meios de comunicação, especialmente para candidatos à liderança do partido que governa Angola há várias décadas.

O manifesto aborda ainda propostas como o reforço da fiscalização do Executivo, a independência do sistema judicial e a democratização interna do MPLA — um ponto considerado central para o aprofundamento da democracia no país. “Dificilmente se democratiza Angola sem democratizar primeiro o MPLA”, refere o comentador, destacando o peso político do partido no sistema nacional.

O processo deverá ganhar intensidade nos próximos meses, com o debate interno a prolongar-se até à realização do congresso. A expectativa recai agora sobre o nível de escrutínio público e mediático das diferentes candidaturas, num momento que poderá marcar uma nova fase na vida política angolana.

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