Domingo, 22 de Março de 2026
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Sábado, 21 Março 2026 22:21

“Não há democracia”: Teixeira Cândido acusa MPLA de controlar tudo e prevê revolta

O jornalista Teixeira Cândido afirmou que “haverá um dia em que as pessoas vão se revoltar”, num tom de forte crítica ao actual sistema político angolano, durante um debate na Rádio Essencial. As declarações colocam em evidência a crescente tensão no espaço público e a desconfiança em relação ao funcionamento das instituições do Estado.

Para o jornalista, Angola não vive num regime democrático, argumento que sustenta com a alegada concentração de poder nas mãos do MPLA desde a independência, em 1975. “Se não vivemos numa democracia, não é possível falar de eleições, de Constituição, de tribunais ou de justiça”, afirmou, acrescentando que o partido no poder “continua a controlar todas as instituições, a comunicação social, os tribunais, o exército, os serviços de segurança, o processo eleitoral e as finanças públicas”.

Para Teixeira Cândido, esta realidade compromete a existência da disputa política efectiva. “Se não há regime democrático, não há eleições, nem competição”, sublinhou, acrescentando que a permanência prolongada no poder terá beneficiado de uma tolerância social que poderá estar a esgotar-se.

O jornalista advertiu que essa eventual ruptura poderá ter consequências graves. “O receio é que uma revolta não poupe ninguém e destrua ainda mais o país”, afirmou, referindo que, num cenário de instabilidade, os recursos acumulados por dirigentes perderiam relevância prática.

O jornalista defendeu, por isso, a necessidade de um “pacto de transição” que permita uma mudança política estruturada e pacífica. Entre as propostas, destacou a realização de um processo eleitoral transparente e a elaboração de uma Constituição consensual, com mecanismos que garantam maior “independência” e equilíbrio entre os poderes do Estado.

Nesse âmbito, sugeriu alterações no modelo de nomeação de cargos-chave, como os responsáveis pelos serviços de segurança e os gestores dos órgãos de comunicação social, defendendo que estes sejam escolhidos por maiorias qualificadas e não exclusivamente pelo Presidente da República. O objectivo, disse, é evitar a concentração de poder e assegurar uma democracia “consolidada e estruturada”.

Como exemplo do que considera fragilidade institucional, Teixeira Cândido apontou a circulação de quadros entre diferentes órgãos do Estado, referindo casos de passagem da Comissão Nacional Eleitoral para tribunais superiores. “Estamos a brincar de instituições”, criticou.

As declarações surgem num contexto de debate crescente sobre a qualidade da democracia em Angola e o funcionamento das suas instituições, reacendendo discussões sobre reformas políticas e a necessidade de reforço da confiança pública no sistema.

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