Uma criança foi torturada e mutilada, durante meses, em Luanda, por um pastor de uma igreja, por crença em feitiçaria, fenómeno que deu lugar em 2024 a mais de 100 denúncias, disse hoje à Lusa fonte oficial.
Um adolescente de 12 anos foi recentemente espancado até à morte por seis jovens que alegavam que ele era feiticeiro pelo facto destes terem sonhado algumas vezes com ele, no município do Soyo, na província angolana no Zaire.
Quarenta e cinco pessoas morreram na comuna da Muinha, no município de Camacupa, província do Bié, depois de serem obrigadas a ingerir um líquido feito a base de ervas, denominado “Mbulungo”, para provar se tinham cometido ou não determinado crime, "geralmente por feitiçaria".
O SIC/Luanda, através da sua Direcção Municipal de Investigação Criminal do Cazenga, apresentou, três cidadãos nacionais com idades compreendidas entre os 20 e 40 anos, indiciados nos crimes de associação criminosa, ameaças de morte, homicídio qualificado em razão dos motivos e roubo qualificado de viatura e de bens diversos, no Município do Cazenga.
A proliferação de seitas religiosas em Angola concorre para o aumento de mortes associadas à feitiçaria, sobretudo no seio das famílias, sustenta um especialista angolano, lamentando a “permissividade” das autoridades em combater o “preocupante fenómeno”.