Perante autoridades nacionais, corpo diplomático e representantes da sociedade civil, o Papa defendeu a valorização de uma cultura de paz, sublinhando a necessidade de dar voz aos que escolhem a reconciliação em detrimento da violência e da exploração. “Felizes os pacificadores”, afirmou, destacando que a maior riqueza de Angola reside nos cidadãos comprometidos com o bem comum.
Leão XIV criticou as lógicas extrativistas, alertando para o risco de afastarem os mais pobres e vulneráveis dos benefícios do desenvolvimento. Dirigindo-se em particular aos jovens, incentivou-os a construir “um projecto de esperança” e um país livre de dependências impostas por interesses económicos e falsas promessas.
O Papa manifestou ainda solidariedade para com as vítimas das cheias em Benguela, recordando as perdas humanas e materiais. Destacou, por outro lado, os “tesouros” de Angola — como a fé, a alegria e a solidariedade — que, afirmou, não podem ser explorados nem apropriados, ao contrário dos recursos naturais que frequentemente despertam interesses externos.
Sublinhando que a transformação social vai além de programas políticos, o pontífice advertiu que persistem desafios significativos, sobretudo para os jovens e os mais desfavorecidos, que continuam a aguardar melhores condições de vida. Defendeu, por isso, a eliminação de obstáculos ao desenvolvimento humano integral, especialmente nas periferias urbanas e nas regiões mais remotas.
Classificando Angola como um “mosaico muito colorido”, Leão XIV apelou à gestão construtiva das divergências, com o bem comum como prioridade, e incentivou os responsáveis públicos a promoverem inclusão e coesão social.
Por seu lado, o Presidente João Lourenço destacou a importância da paz e do diálogo no contexto internacional, alertando para os riscos da corrida global aos recursos naturais. O chefe de Estado apelou à resolução pacífica de conflitos, incluindo a situação no Médio Oriente, defendendo a abertura do Estreito de Ormuz por via negocial.
O chefe de Estado sublinhou ainda o papel de Angola na promoção da paz em África, defendendo o diálogo como via essencial para a resolução de conflitos internacionais.
Lourenço sublinhou ainda que a exploração de recursos deve ser feita através de acordos e cooperação entre Estados, evitando o recurso à força, e reiterou o papel de Angola como promotor da paz e do entendimento entre nações.
A visita do Papa foi saudada pelo MPLA, partido no poder, que a considera um momento relevante para o reforço das relações entre Angola e o Vaticano. O partido sustenta esta posição com o facto de que, em 34 anos, três dos quatro líderes da Igreja Católica visitaram o país.

