Quinta, 25 de Junho de 2026
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Quinta, 25 Junho 2026 21:16

“Luta de titãs” entre João Lourenço e Higino Carneiro expõe divisões no MPLA, diz analista

O analista político e professor universitário Albino Pakisi considera que a disputa pela liderança do MPLA entre o actual presidente do partido, João Lourenço, e o general na reforma Higino Carneiro representa uma verdadeira "luta de titãs", tendo em conta o peso político e a influência de ambos no seio da maior força política angolana.

Em declarações à DW África, Pakisi afirmou que Higino Carneiro não pode ser visto como um militante comum, destacando os mais de 40 anos de militância no MPLA e a sua trajectória política e militar como factores que o colocam numa posição singular na corrida à liderança do partido.

“O que está a acontecer no MPLA é uma luta a que nós chamamos de luta de titãs, porque Higino Carneiro não é um militante qualquer. É uma das poucas figuras que se apresenta em pé de igualdade para disputar a liderança com João Lourenço”, afirmou.

Segundo o analista, o antigo governador e dirigente do MPLA beneficia de apoios tanto dentro como fora das estruturas partidárias, embora considere que muitos militantes tendem a manifestar apoio à figura que detém o poder, evitando posicionamentos públicos em favor de candidatos alternativos.

Pakisi entende, contudo, que uma eventual rejeição da candidatura de Higino Carneiro não estaria necessariamente relacionada com o nível de apoio que reúne, mas antes com o ambiente de rivalidade política que se instalou entre os dois dirigentes.

Na sua análise, as relações entre João Lourenço e Higino Carneiro deterioraram-se após este último ter manifestado publicamente, no ano passado, a intenção de concorrer à presidência do MPLA.

“Se a candidatura for chumbada, será essencialmente por causa dessa rivalidade política que se tornou evidente nos últimos meses”, sustentou.

O académico considera igualmente que o MPLA atravessa uma fase de divisão interna, com sectores que apoiam a continuidade da liderança de João Lourenço e outros que defendem alternativas dentro do partido.

Para Pakisi, o próximo Congresso Ordinário do MPLA, agendado para Dezembro deste ano, poderá revelar até que ponto essas divergências influenciam o futuro da organização política que governa Angola desde a independência.

O analista alertou ainda para os riscos políticos que poderão surgir caso a liderança partidária não consiga gerar consensos internos em torno da sucessão política e da escolha do futuro candidato presidencial para as eleições gerais de 2027.

A PGR como "arma política" do palácio

Questionado sobre o papel das instituições judiciais neste xadrez de influências, Albino Pakisi foi perentório ao denunciar a falta de independência da Procuradoria-Geral da República (PGR), afirmando que o organismo responde diretamente às orientações do palácio presidencial.

"Se em casos pequeninos nós não temos a PGR, em casos grandes, como este de Higino Carneiro, Isabel dos Santos e tantos outros, o Presidente da República interfere diretamente", acusa o analista, sustentando que João Lourenço se ancora no artigo 108.º da Constituição (que o define como Chefe de Estado e representante do Estado) para exercer essa tutela.

"Temos aqui uma grande interferência e, em muitos casos, essas instituições, como a PGR e a própria justiça, são utilizadas para fins políticos. É o que estamos a notar aqui. Vamos perceber até que ponto vai isto", conclui o académico, numa altura em que todas as atenções se viram para o decisivo congresso de dezembro.

As declarações surgem numa altura em que o processo de candidaturas à liderança do MPLA ganha maior intensidade, após a formalização da candidatura de Higino Carneiro, que se junta à recandidatura de João Lourenço na corrida ao IX Congresso Ordinário do partido, marcado para os dias 9 e 10 de Dezembro de 2026.

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