De acordo com o subcomissário Wilson Baptista, porta-voz da corporação, o mau tempo afectou directamente 34.355 pessoas, distribuídas por 6.871 famílias, tendo ainda provocado a inundação de 6.752 habitações, com maior incidência na capital do país.
A província de Benguela é, até ao momento, a mais afectada em número de vítimas mortais, com 22 óbitos confirmados, 13 feridos e dois desaparecidos. As chuvas causaram igualmente o desabamento de 114 residências e danos em pelo menos outras 19 habitações, agravando a situação humanitária naquela região.
O temporal teve também impacto na actividade marítima, afectando 12 embarcações, das quais nove foram resgatadas e três removidas. As águas arrastaram ainda quatro viaturas, aumentando significativamente os prejuízos materiais registados.
Na província de Luanda foram confirmadas seis mortes e um desaparecido, sendo, contudo, a região com maior número de pessoas afectadas: 33.785 cidadãos, correspondentes a 6.757 famílias. Entre os principais danos destacam-se a inundação de habitações, a queda de árvores e postes de energia eléctrica, bem como prejuízos em infra-estruturas públicas, incluindo três centros de saúde e oito escolas.
Equipas coordenadas pelo Comandante Provincial de Luanda encontram-se no terreno a efectuar o levantamento detalhado das zonas mais afectadas, com particular incidência nos municípios dos Mulenvos, Camama e Cacuaco.
Segundo o porta-voz do Serviço de Protecção Civil e Bombeiros em Luanda, Daniel Correia, as mortes registadas na capital ocorreram nos municípios de Cacuaco e dos Mulenvos. No município de Cacuaco, uma mulher, com idade estimada entre os 30 e os 35 anos, perdeu a vida após ter sido arrastada para uma vala de drenagem no bairro Cerâmica, na zona da Maravilha. Já nos Mulenvos, duas crianças, de 3 e 6 anos, morreram por afogamento.
Wilson Baptista explicou ainda que o corpo da mulher foi resgatado pela equipa de redução de riscos de desastres do Comando Provincial do Serviço de Protecção Civil e Bombeiros de Luanda, depois de ter sido arrastado pela corrente das águas.
A precipitação intensa provocou igualmente inundações em várias zonas da capital, causando constrangimentos significativos à mobilidade urbana e prejuízos materiais em diversos bairros. Segundo as autoridades, várias vias ficaram praticamente intransitáveis, sobretudo nas áreas mais vulneráveis, situação recorrente sempre que se registam chuvas de elevada intensidade.
No bairro Gindungo, sector B, no município dos Mulenvos, a queda de um posto de baixa tensão está a aumentar o risco para os moradores. Residentes denunciam que a estrutura apresentava sinais avançados de degradação há cerca de dois anos, encontrando-se actualmente com cabos eléctricos a cerca de 50 centímetros do solo, constituindo perigo iminente para a população.
Fineza, proprietária da residência ligada ao referido posto, afirmou que a situação já era do conhecimento da empresa prestadora de serviços associada à Empresa Nacional de Distribuição de Electricidade (ENDE), através de técnicos que regularmente circulavam pelo bairro.
Entretanto, as chuvas continuaram a afectar a província de Luanda neste Domingo de Páscoa, mantendo várias zonas sob risco elevado. Os municípios de Cacuaco, Kilamba, Kilamba Kiaxi, Cazenga e os Mulenvos são apontados pelas autoridades como áreas que exigem atenção especial, devido à vulnerabilidade das infra-estruturas e à recorrência de alagamentos.

