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Terça, 06 Outubro 2026 22:46

Angola importa 90% do frango consumido e avicultura não abastece indústria de enchidos

A incapacidade da avicultura angolana para responder à procura mantém o país fortemente dependente do exterior. Cerca de 90% do frango consumido em Angola é importado e a produção nacional também não consegue garantir matéria-prima suficiente para abastecer a indústria de enchidos, segundo o presidente da Associação dos Avicultores de Angola (ANAVI), Rui Santos.

O défice produtivo coloca pressão sobre uma indústria que necessita de grandes volumes de carne e derivados de aves para fabricar produtos como fiambre e salsichas. A situação agravou-se depois de o Governo ter proibido a importação de restos de aves, nomeadamente pele e peito de frango, matérias-primas utilizadas pelo sector transformador.

Apesar da proibição, os operadores continuam a recorrer ao mercado externo, justificando a importação com a incapacidade da produção nacional para responder às necessidades das fábricas.

Fontes do Valor Económico estimam que cada empresa do sector necessita de cerca de 10 contentores de 40 pés por mês para garantir o abastecimento de matéria-prima. Um volume que, actualmente, a avicultura nacional está longe de conseguir assegurar.

A dependência externa é particularmente evidente no mercado de frango. Rui Santos estima que nove em cada 10 unidades consumidas no país tenham origem no exterior, reflexo da reduzida capacidade produtiva nacional.

O cenário contrasta com a existência de pequenas e médias empresas avícolas com capacidade instalada, mas que operam abaixo do seu potencial. Para a ANAVI, o problema não está apenas na falta de produtores, mas também na insuficiência de financiamento e na dificuldade em transformar capacidade instalada em produção efectiva.

O Governo tem em marcha uma linha de financiamento de 50 milhões de kwanzas por avicultor, mas a associação considera necessário mobilizar também capital privado para acelerar a expansão da produção.

A solução defendida pelos avicultores passa por aproximar a produção primária da indústria transformadora.

Rui Santos desafia os empresários dos enchidos a canalizarem para a avicultura parte dos recursos que actualmente gastam na importação de matéria-prima. A lógica é simples: em vez de pagar ao fornecedor estrangeiro, a indústria poderia financiar produtores nacionais e garantir localmente o abastecimento de que necessita.

“Nós não temos capacidade. Mas se esses empresários de enchidos, que esperam 90 dias para a mercadoria importada chegar ao país, reverterem os valores das importações para o sector da avicultura, ao fim deste período terão a matéria-prima produzida no mercado nacional”, defende.

A proposta coloca a indústria transformadora no centro da estratégia de substituição de importações. Para a ANAVI, o investimento dos próprios compradores pode ajudar a criar escala na produção e assegurar um mercado para os avicultores.

90 dias de espera para matéria-prima importada

O actual modelo representa, segundo o responsável, um custo adicional para as empresas transformadoras, que chegam a esperar cerca de 90 dias pela chegada da mercadoria importada.

Para os avicultores, esse período poderia ser utilizado para produzir localmente parte da matéria-prima necessária à indústria.

A aposta permitiria ainda reduzir a exposição das empresas às dificuldades de importação e criar uma cadeia de fornecimento mais integrada, desde a criação das aves até à transformação industrial.

Meta é aumentar produção até ao início do próximo ano

O aumento da produção avícola é apontado pela ANAVI como uma das prioridades do sector, em articulação com a Coordenação Económica.

Rui Santos garante que o objectivo é criar, até aos primeiros meses do próximo ano, condições para que as empresas aumentem a produção e passem a responder de forma mais efectiva às necessidades do mercado.

A ambição é reduzir o actual peso das importações e garantir o abastecimento da indústria de enchidos com matéria-prima produzida em Angola.

Mas, até lá, o mercado continua dependente do exterior: a produção nacional não cobre a procura, a indústria transformadora enfrenta dificuldades para encontrar matéria-prima local e 90% do frango consumido pelos angolanos continua a chegar de fora do país.

Esta versão fica mais próxima de uma peça de economia de jornal, com foco no défice, no dinheiro das importações e na oportunidade de investimento privado, sem perder a atribuição das declarações à ANAVI.

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