Em causa está uma entrevista do general Geraldo Sachipengo Nunda, que integrou as fileiras do partido do "Galo Negro" e que, em 1993, se juntou às Forças Armadas Angolanas (FAA).
O general que foi determinante no desmantelamento da máquina de guerra do seu antigo chefe, Jonas Savimbi, e esteve nas negociações que culminaram nos acordos de paz assinados no Luena em Abril de 2002, afirmou na Televisão Pública de Angola (TPA) que "não valia a pena perder a vida por uma causa que não valia a pena", denunciando ter sido alvo de tentativas de eliminação.
O antigo chefe do Estado-Maior General das FAA criticou ainda as "narrativas" dos atuais dirigentes da UNITA que tentam passar a imagem de Savimbi "democrata" e "construtor da paz", apontando episódios como o da queima de mulheres.
Num comunicado multo crítico, em que o general não é nomeado, o Comité Permanente da Comissão Politica da UNITA afirma que o pronunciamento "de um general diretamente implicado na morte do Dr. Jonas Malheiro Savimbi [...] pela sua natureza e conteúdo não contribui para a consolidação da paz e da reconciliação nacional", antes alimentando a "animosidade".
O partido afirma ter acompanhado "com surpresa e indignação o que considera ser uma "campanha de ódio", promovida numa altura em que se celebram 24 anos de paz e se prepara a vinda do Papa.
Para a União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA) está em causa o uso de um órgão público e de "bocas de aluguer" "com o propósito de obter vantagens políticas a qualquer custo, abraçando a reles propaganda, a promoção da divisão e da intolerância".
"Os angolanos sabem [...]que a decisão de promover uma entrevista com aquele conteúdo na quadra da paz não foi uma decisão da Televisão Pública de Angola, mas certamente uma instrução recebida e decidida nos órgãos afetos ao Presidente da República e dedicados exclusivamente à promoção de divisões, a destilar ódios, a atentar contra a unidade nacional", criticou.
A UNITA afirma ter entregado na sexta-feira ao gabinete da Presidência um "pacto para a estabilidade e reconciliação nacional que considera ser um contributo para fortalecer a "unidade e reconciliação nacional", questionando o Presidente da República, João Lourenço, sobre os "caminhos" pelos quais "pretende conduzir o país com atos de intoxicação das mentes promovidos pelos gabinetes afetos à Presidència da República".
O partido fala em "tentativa de destruição da memória histórica" de Savimbi, questionando os promotores desta "irresponsável campanha sobre as suas condições "para se assumirem como impolutos", sublinhando que "nenhum dos protagonistas deste processo histórico pode ser apresentado como absolutamente Inocente ou exclusivamente culpado" e apelando a uma "leitura responsável da história comum.
A UNITA aborda também os acontecimentos ocorridos no Sumbe em 29 de Março, demarcando-se de "quaisquer atos que possam promover a violação da lei e do respeito da să convivência democrática", tendo instruido o responsável que dirigiu o ato a retirar aquela caracterização e, em futuros eventos, "por serem suscetiveis de induzir interpretações não consentâneas com o posicionamento do partido".
Por outro lado, manifestou indignação com os comunicados emitidos pelas FAA e pela Polícia Nacional (PN), "por considerá-los exagerados", salientando que as instituições não procuraram o diálogo nem qualquer contacto com a direção da UNITA.
No comício do dia 29 de março, membros da UNITA apresentaram-se no desfile exibindo uniformes, passadores e boinas semelhantes aos usados pelas forças militares e militarizadas.
As FAA condenaram a atitude dos militantes, considerando tratar-se de um "ato irresponsável que constitui uma "afronta" e "desrespeito pelas instituições militares".
A PN alertou que o uso indevido de vestuário com caracteristicas militares "representa um sério risco para a ordem e segurança públicas, porquanto pode gerar confusão, facilitar práticas ilicitas e comprometer a atuação das forças legitimas do Estado".

