O Índice de Colaboração Autoritária, divulgado em Londres, analisa o período entre 1 de Março e 1 de Outubro de 2026 e acompanha 139 actores, entre países, governos e partidos políticos.
O documento identifica mecanismos de cooperação que incluem apoio militar, formação política e contactos diplomáticos, envolvendo governos e organizações que os investigadores classificam como autoritários ou com tendências autoritárias.
MPLA e FRELIMO citados em programas de formação
Entre os casos referidos estão programas de formação política promovidos pelo Partido Comunista do Vietname junto do MPLA, em Angola, e da FRELIMO, em Moçambique.
Segundo o relatório, estas iniciativas integram as relações de cooperação entre partidos no poder e organizações estrangeiras.
A inclusão dos dois partidos surge no contexto da análise das ligações políticas internacionais, não permitindo, por si só, concluir que todas as suas relações externas tenham a mesma natureza ou finalidade.
Rússia reforça influência militar em Moçambique
O relatório aponta Moscovo como um dos actores que procura ampliar a sua influência em África através do fornecimento de armas, formação militar e envio de efectivos.
Moçambique é apresentado como exemplo desta estratégia. Segundo o documento, o país recebeu armamento e formação militar russos para combater grupos insurgentes no Norte, particularmente em Cabo Delgado.
A investigação enquadra esta assistência numa estratégia mais ampla de aproximação política e militar entre a Rússia e governos africanos.
Angola, Moçambique e Guiné-Bissau na classificação
A análise utiliza como referência o Tyranny Tracker (Rastreador de Tiranias), da Fundação dos Direitos Humanos (HRF), que avalia a liberdade política em 179 países e territórios.
Segundo a plataforma, Angola, Moçambique e Guiné-Bissau estão classificados como regimes plenamente autoritários. Portugal, Brasil e Timor-Leste surgem como democracias, enquanto Cabo Verde e São Tomé e Príncipe não constam da classificação.
A avaliação baseia-se em indicadores relacionados com a competição eleitoral, as liberdades políticas e a responsabilização institucional, correspondendo à metodologia adoptada pela organização.
Navalnaya alerta para cooperação entre ditaduras
Durante a apresentação do relatório, a opositora russa exilada Yulia Navalnaya afirmou que os regimes autoritários estão a tornar-se mais sofisticados e a reforçar a cooperação internacional.
«No século XXI, os ditadores tornaram-se mais inteligentes e mais astutos. Aprendem uns com os outros, trabalham em conjunto e ajudam-se mutuamente», declarou.
Viúva do opositor russo Alexei Navalny, a activista alertou para a utilização dos sistemas financeiros e jurídicos ocidentais para contornar sanções e reprimir opositores.
Navalnaya defendeu que o combate ao autoritarismo exige investigação rigorosa e cooperação entre os defensores da democracia.
O índice, desenvolvido pela HRF em parceria com a organização Action for Democracy (A4D), procura mapear relações transnacionais entre governos e partidos, incluindo alianças políticas na Europa e ligações entre a Rússia e formações partidárias estrangeiras.

