O presidente da União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA), Adalberto Costa Júnior, lamentou a falta de compromisso do Presidente da República, João Lourenço, com o pluralismo democrático e responsabilizou o actual regime pela limitação da liberdade de expressão e do contraditório no país.
«Este é o símbolo [falta de pluralidade] da governação do actual regime, e de João Lourenço. Não há membros do regime a favor do pluralismo», afirmou esta segunda-feira, 19 de Outubro, durante a abertura de um seminário de capacitação subordinado ao tema «Lideranças, Comunicação Assertiva e Fiscalidade», dirigido aos deputados do grupo parlamentar da UNITA.
Na sua intervenção, o líder do maior partido da oposição acusou o actual regime de não respeitar os princípios da liberdade e da pluralidade, considerando que o medo condiciona o debate público e dificulta a manifestação de posições divergentes.
«Dois círculos de governação do actual Presidente... nunca houve um debate», declarou Costa Júnior, denunciando igualmente que, durante a administração de João Lourenço, nenhum órgão de comunicação social público o convidou para uma entrevista.
As declarações colocam novamente no centro do debate político as questões do pluralismo, do acesso dos actores políticos aos meios de comunicação social públicos e das condições para o exercício do contraditório em Angola.
Além das críticas à governação, Adalberto Costa Júnior aproveitou a abertura do seminário para defender uma actuação mais próxima dos cidadãos por parte dos deputados da UNITA.
Segundo o dirigente, os parlamentares devem reforçar a fiscalização da actividade governativa, prestar contas do trabalho realizado e manter contacto regular com as comunidades, de modo a conhecer directamente os problemas que afectam a população.
«Os deputados devem estar presentes onde o povo está — nas aldeias, nos mercados e nos bairros populares — para ouvir directamente os anseios e as queixas da população», afirmou.
A formação, dedicada às lideranças, à comunicação assertiva e à fiscalidade, pretende capacitar os deputados para o exercício das suas funções, num contexto em que a fiscalização parlamentar e a proximidade com os eleitores assumem particular relevância na agenda política da oposição.
O desemprego entre os jovens foi outra das questões destacadas pelo presidente da UNITA, que classificou o fenómeno como endémico em Angola.
Costa Júnior alertou que o potencial associado ao crescimento da população em idade activa — frequentemente designado por bónus demográfico — poderá transformar-se num factor de risco social caso os jovens continuem sem oportunidades de emprego, acesso ao ensino e perspectivas de futuro.
Na perspectiva do dirigente, a incapacidade de responder às expectativas da juventude poderá agravar as dificuldades sociais e comprometer o aproveitamento das oportunidades decorrentes da estrutura demográfica do país.
O tema surge num contexto em que o emprego, a formação e as condições de vida dos jovens constituem questões centrais do debate sobre o desenvolvimento económico e social de Angola.
Com as eleições gerais de 2027 no horizonte, o líder da UNITA colocou a estabilidade política e institucional entre as prioridades da formação política que dirige.
Costa Júnior instou as instituições do Estado, incluindo as forças de segurança, a contribuírem para a criação de um ambiente democrático e pacífico, livre de conflitos, durante o processo político que antecede as eleições.
O apelo surge numa fase em que os partidos políticos começam a posicionar as suas agendas em função do próximo ciclo eleitoral, com temas como a liberdade política, a participação dos cidadãos, o emprego juvenil e o funcionamento das instituições públicas a integrarem o debate.
As declarações de Adalberto Costa Júnior reflectem a posição crítica da UNITA em relação à governação de João Lourenço e reforçam a aposta do partido nas questões da democracia, da fiscalização política e da estabilidade institucional como eixos da sua intervenção até 2027.

