Segunda, 12 de Outubro de 2026
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Segunda, 12 Outubro 2026 17:55

«O povo não vive de promessas»: Lukamba Gato destaca discurso de Carlos Feijó no Cunene

O antigo secretário-geral da UNITA considera raro ouvir um dirigente do MPLA falar com tanta frontalidade sobre os problemas do país, mas põe em causa a credibilidade de uma estratégia eleitoral assente em resultados de última hora.

Lukamba Paulo Gato, destacou a relevância das declarações de Carlos Feijó, proferidas durante o fim de semana, na província do Cunene, considerando que o discurso trouxe para o debate público uma abordagem frontal sobre os problemas que afectam a sociedade angolana e os desafios da governação.

Numa reflexão sobre a intervenção do jurista, Lukamba Paulo Gato sublinha que não é frequente ouvir dirigentes ligados ao partido no poder abordarem, de forma tão directa, as dificuldades reais enfrentadas pela população, defendendo, por isso, que as posições assumidas por Carlos Feijó merecem particular atenção.

Sob o título «Os recados de Carlos Feijó», o antigo dirigente da UNITA chama a atenção para o reconhecimento do desgaste eleitoral do partido no poder e para a necessidade de apresentar resultados concretos da governação como forma de recuperar a confiança dos eleitores tendo em vista as eleições gerais de 2027.

Perante esta perspectiva, Lukamba Paulo Gato levanta uma questão central: que resultados poderá o Executivo apresentar, num horizonte temporal relativamente curto, capazes de alterar significativamente a percepção dos cidadãos sobre as suas actuais condições de vida?

Na sua análise, os problemas estruturais de Angola, acumulados ao longo de vários anos, não podem ser resolvidos de um dia para o outro, muito menos através de medidas pontuais destinadas a produzir efeitos imediatos no plano eleitoral.

O antigo secretário-geral da UNITA considera que as necessidades da população devem constituir uma prioridade permanente da governação, independentemente da proximidade dos períodos eleitorais.

Lukamba Paulo Gato recorda que as preocupações dos cidadãos vão muito além das disputas políticas e eleitorais. Entre as principais necessidades da população, destaca o acesso à alimentação, aos serviços de saúde, à educação, à água potável, à energia eléctrica, ao emprego e a oportunidades que permitam garantir o sustento das famílias.

O antigo dirigente chama igualmente a atenção para a situação da juventude, que necessita de perspectivas concretas de futuro, e dos agricultores, que precisam de apoio à produção durante todo o ciclo agrícola, e não apenas em períodos próximos das eleições.

Na sua perspectiva, estes desafios exigem uma governação orientada para a prestação contínua de serviços públicos, a responsabilização dos titulares de cargos políticos e a apresentação regular de resultados.

Por essa razão, considera que a governação não deve transformar-se numa corrida contra o tempo, marcada por tentativas de recuperar, nos últimos meses de um mandato, a confiança que deveria ter sido construída ao longo dos cinco anos.

«Governar não é preparar eleições»

Uma das principais mensagens da reflexão de Lukamba Paulo Gato é a distinção entre governar para responder às necessidades do país e governar com a preocupação centrada na conquista de votos.

«Governar não é preparar eleições. É preparar o país e melhorar, todos os dias, as condições de vida dos cidadãos», sustenta, ao defender que os resultados da governação devem ser uma consequência de um trabalho contínuo e não apenas um instrumento de mobilização eleitoral.

O antigo secretário-geral da UNITA questiona ainda as razões pelas quais a apresentação de resultados concretos surge agora como uma condição para reconquistar a confiança dos eleitores, quando, no seu entendimento, essa preocupação deveria ter constituído uma prioridade desde o início do mandato.

A reflexão coloca, assim, no centro do debate a responsabilidade do Executivo na execução das políticas públicas e na melhoria efectiva das condições de vida da população.

No final da sua análise, Lukamba Paulo Gato dirige uma mensagem aos governadores provinciais e administradores que, na sua avaliação, têm assumido comportamentos de activistas políticos, apelando implicitamente a uma maior atenção às responsabilidades inerentes aos cargos que exercem.

«Espero que os governadores e administradores que se transformaram em activistas políticos tenham acatado o recado de Carlos Feijó», afirma.

A observação reforça a ideia de que os responsáveis pela administração pública devem concentrar-se na resolução dos problemas das comunidades e na concretização das políticas públicas, em vez de privilegiarem dinâmicas de mobilização político-partidária.

A posição de Lukamba Paulo Gato confere, deste modo, maior dimensão política ao discurso de Carlos Feijó no Cunene, ao destacar a importância do reconhecimento das dificuldades do país e da necessidade de uma governação orientada para resultados.

Num contexto de preparação para as eleições gerais de 2027, a reflexão deixa uma mensagem clara: a confiança dos cidadãos não se constrói apenas com discursos ou promessas eleitorais, mas com respostas concretas aos problemas que enfrentam diariamente.

Como sintetiza o antigo dirigente da UNITA, «O povo não vive de promessas eleitorais. Vive dos resultados concretos da governação!»

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