Quinta, 27 de Agosto de 2026
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Quinta, 27 Agosto 2026 14:53

UNITA denuncia 19.000 “salas de aula” debaixo de árvores em Angola

O governo-sombra da UNITA denunciou hoje que Angola tem 19.000 mil árvores a funcionarem como salas de aulas e que o país necessita de 2.000 a 8.000 escolas para acolher 4,5 milhões de crianças e jovens.

O diagnóstico foi feito por Raul Tati, o primeiro-ministro do governo-sombra da União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA), principal partido da oposição ao Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), no poder.

Na preparação para o novo ano letivo 2026/2027, a UNITA convocou uma conferència de imprensa para falar dos desafios e problemas estruturais do sistema educativo e do ensino superior em Angola.

"Uma dura realidade" do país, como descreveu, são os milhares de crianças a estudarem à sombra de árvores e deu o exemplo da provincia de Uige, que tem entre "40 mil e 45 mil alunos a estudar nestas condições, segundo disse.

"Angola precisa de 2.000 a cerca de 8.000 escolas para absorver as cerca de 4,5 milhões de crianças e jovens dos 5 aos 18 anos que continuam fora do sistema de ensino", afirmou.

A UNITA indica que o pais tem 7.700 escolas públicas, das quais 25% funcionam em condições precárias, o que representa 1.925 escolas, 300 das quais na capital, Luanda.

A falta de estruturas, o diagnóstico da UNITA acrescenta um défice de professores no sistema que conta com 206 mil docentes nas escolas públicas e que precisaria "de 60 mil a 78 mil para suprir as necessidades de todo o sistema educativo nacional".

Raul Tati considerou que o concurso público aberto pelo executivo para contratar 8.000 novos professores "está ainda muito abaixo do necessário.

"Num período de cinco anos, o Ministério da Educação deveria contratar um mínimo 12.000 por ano", concretizou.

Os professores reclamam reajustes salariais que, segundo o partido, o executivo não está a cumprir nos termos acordados com os sindicatos, o que poderá levar a uma greve geral em todo o país comprometendo seriamente o arranque do ano letivo.

A UNITA "apela ao executivo do MPLA para que tudo seja feito para evitar a greve geral, retomando os pagamentos faseados".

A análise do governo-sombra do partido da oposição refere também cortes na ordem "de até 50%" no financiamento do programa nacional de alimentação escolar e reclama um aumento do investimento, escolha de fornecedores idóneos e melhores mecanismos de distribuição.

O abandono escolar é outro dos problemas do ensino angolano apontado, com "apenas 24% dos alunos em Angola a concluírem o ensino secundário.

Segundo disse, são dados de 2024 do mais recente relatório da monitorização global da educação da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciència e Cultura (UNESCO, na sigla em inglès).

A UNITA apontou ainda as lacunas do ensino superior angolano, frequentado por 435 mil estudantes e com cerca de 195 mil vagas abertas para o próximo ano letivo, nas 106 instituições ensino superior, sendo 31

públicas e 75 privadas. Destas, sublinhou, apenas 11% se destinam ao ensino superior publico, uma distribuição que, para a UNITA, "evidencia de forma clara o peso que se dá às instituições privadas em detrimento da rede escolar pública".

O partido denunciou ainda alegadas "práticas ilícitas instaladas nas instituições públicas com a venda de vagas".

"Há indivíduos a fazer fortunas com este tráfico de vagas. É preciso criar mecanismos de fiscalização rigorosa", declarou.

O primeiro-ministro do governo-sombra da UNITA referiu-se ainda ao que classificou de partidarização da escola, com o aproximar do ano eleitoral, em Angola.

"Vamos assistir ao corrupio de sempre, escolas transformadas em campos de mobilização coerciva de alunos inocentes para os comícios do MPLA", considerou.

Raul Tati classificou como "prática criminosa" e "uma boa maneira de destruir a educação", a paralisação das aulas, sempre que um candidato do MPLA se desloca para alguma província em campanha.

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