Quarta, 12 de Agosto de 2026
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Quarta, 12 Agosto 2026 10:34

Adalberto acusa governador do Uíge de perseguição política e alerta para riscos no período eleitoral

O presidente da UNITA, Adalberto Costa Júnior, afirmou esta terça-feira que os acontecimentos registados no último fim de semana na província do Uíge, que provocaram pelo menos 31 feridos, dos quais dez em estado grave, não podem ser classificados como confrontos, defendendo que os responsáveis pela atuação policial devem ser responsabilizados.

Em declarações à imprensa, o líder do maior partido da oposição considerou que a intervenção das forças de segurança foi "excessiva", "completamente desnecessária" e marcada por uma repressão violenta.

"No Uíge não houve confrontos. No Uíge não há formas de justificar, a nenhum nível, aquele comportamento daquela força excessiva, completamente desnecessária e aquela repressão violenta que nós assistimos e que é preciso responsabilizar", afirmou.

Adalberto Costa Júnior alertou ainda para o risco de este tipo de atuação se repetir em contexto eleitoral, apelando à vigilância da sociedade e das instituições.

"Não seja esta uma experiência para levar para uma campanha eleitoral. A sociedade angolana, no seu todo, e todas as entidades devem preocupar-se e exigir responsabilização, porque a todos interessa um país em paz, com estabilidade e no pleno respeito pelos direitos políticos e cívicos de todos."

O dirigente recordou que a UNITA já havia condenado os incidentes, mas sublinhou que a condenação, por si só, não é suficiente.

"Os prevaricadores não podem pensar que têm uma autoestrada aberta para a prática voluntária da violência. Não faz sentido."

Acusa governador de favorecer o MPLA

O presidente da UNITA acusou igualmente o governador provincial do Uíge de limitar a atividade política da oposição, ao mesmo tempo que, alegadamente, permite ao MPLA desenvolver ações de propaganda sem restrições.

Segundo Adalberto Costa Júnior, durante a deslocação ao Uíge foi possível constatar a existência de bandeiras e material de propaganda política espalhados pela cidade e pelos municípios, situação que, defendeu, contraria as regras em vigor.

"O partido do regime teve as suas atividades normais, a cidade estava engalanada com bandeiras e todos os municípios igualmente. Encontrámos material de propaganda à entrada e à saída dos municípios. Isso permite perceber que o que aconteceu no Uíge foi um ato premeditado e, naturalmente, tem de ser responsabilizado."

Na sequência dos incidentes, vários partidos políticos manifestaram solidariedade para com a UNITA e condenaram os acontecimentos.

O PRA-JA Servir Angola, liderado por Abel Chivukuvuku, declarou, em comunicado, a sua "total solidariedade à UNITA, aos seus dirigentes, militantes, simpatizantes e a todos os cidadãos afetados pelos acontecimentos registados no Uíge".

Também o Bloco Democrático condenou os episódios de violência e exigiu uma investigação independente, bem como a responsabilização do Estado.

Num comunicado, o partido apelou ao respeito pelas liberdades fundamentais e condenou quaisquer ações destinadas a limitar a atuação da oposição e da sociedade civil.

Por sua vez, a FNLA, através do membro do Comité Central Ndonda Nzinga, apelou à Polícia Nacional para que se abstenha de práticas que promovam a intolerância política, defendendo a preservação da paz, da tolerância e dos valores democráticos.

"Estes atos já não podem ter lugar no nosso país. A FNLA defende a unidade nacional, depois de vários anos de conflito armado que destruiu Angola", afirmou.

O Partido Liberal também lamentou os acontecimentos, sustentando que a consolidação da democracia não pode assentar em confrontos, intolerância ou hostilidade entre cidadãos.

Os incidentes ocorreram durante a deslocação da direção da UNITA ao Uíge e resultaram em pelo menos 31 feridos, entre os quais dez em estado grave, segundo dados avançados pelo partido. A UNITA responsabiliza as forças de segurança pela violência, enquanto aguarda que as autoridades competentes apurem as circunstâncias dos acontecimentos e eventuais responsabilidades.

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