Em declarações à imprensa, o líder do maior partido da oposição considerou que a intervenção das forças de segurança foi "excessiva", "completamente desnecessária" e marcada por uma repressão violenta.
"No Uíge não houve confrontos. No Uíge não há formas de justificar, a nenhum nível, aquele comportamento daquela força excessiva, completamente desnecessária e aquela repressão violenta que nós assistimos e que é preciso responsabilizar", afirmou.
Adalberto Costa Júnior alertou ainda para o risco de este tipo de atuação se repetir em contexto eleitoral, apelando à vigilância da sociedade e das instituições.
"Não seja esta uma experiência para levar para uma campanha eleitoral. A sociedade angolana, no seu todo, e todas as entidades devem preocupar-se e exigir responsabilização, porque a todos interessa um país em paz, com estabilidade e no pleno respeito pelos direitos políticos e cívicos de todos."
O dirigente recordou que a UNITA já havia condenado os incidentes, mas sublinhou que a condenação, por si só, não é suficiente.
"Os prevaricadores não podem pensar que têm uma autoestrada aberta para a prática voluntária da violência. Não faz sentido."
Acusa governador de favorecer o MPLA
O presidente da UNITA acusou igualmente o governador provincial do Uíge de limitar a atividade política da oposição, ao mesmo tempo que, alegadamente, permite ao MPLA desenvolver ações de propaganda sem restrições.
Segundo Adalberto Costa Júnior, durante a deslocação ao Uíge foi possível constatar a existência de bandeiras e material de propaganda política espalhados pela cidade e pelos municípios, situação que, defendeu, contraria as regras em vigor.
"O partido do regime teve as suas atividades normais, a cidade estava engalanada com bandeiras e todos os municípios igualmente. Encontrámos material de propaganda à entrada e à saída dos municípios. Isso permite perceber que o que aconteceu no Uíge foi um ato premeditado e, naturalmente, tem de ser responsabilizado."
Na sequência dos incidentes, vários partidos políticos manifestaram solidariedade para com a UNITA e condenaram os acontecimentos.
O PRA-JA Servir Angola, liderado por Abel Chivukuvuku, declarou, em comunicado, a sua "total solidariedade à UNITA, aos seus dirigentes, militantes, simpatizantes e a todos os cidadãos afetados pelos acontecimentos registados no Uíge".
Também o Bloco Democrático condenou os episódios de violência e exigiu uma investigação independente, bem como a responsabilização do Estado.
Num comunicado, o partido apelou ao respeito pelas liberdades fundamentais e condenou quaisquer ações destinadas a limitar a atuação da oposição e da sociedade civil.
Por sua vez, a FNLA, através do membro do Comité Central Ndonda Nzinga, apelou à Polícia Nacional para que se abstenha de práticas que promovam a intolerância política, defendendo a preservação da paz, da tolerância e dos valores democráticos.
"Estes atos já não podem ter lugar no nosso país. A FNLA defende a unidade nacional, depois de vários anos de conflito armado que destruiu Angola", afirmou.
O Partido Liberal também lamentou os acontecimentos, sustentando que a consolidação da democracia não pode assentar em confrontos, intolerância ou hostilidade entre cidadãos.
Os incidentes ocorreram durante a deslocação da direção da UNITA ao Uíge e resultaram em pelo menos 31 feridos, entre os quais dez em estado grave, segundo dados avançados pelo partido. A UNITA responsabiliza as forças de segurança pela violência, enquanto aguarda que as autoridades competentes apurem as circunstâncias dos acontecimentos e eventuais responsabilidades.

