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Terça, 31 Março 2026 17:19

Marcolino Moco denuncia alegada tentativa de intimidação após entrevista não divulgada

O antigo primeiro-ministro angolano, Marcolino Moco, afirmou ter sido alvo de uma alegada tentativa de intimidação, na sequência de uma entrevista concedida a uma estação televisiva portuguesa que, segundo o próprio, nunca chegou a ser emitida.

Numa publicação na sua página do Facebook, o ex-governante levanta suspeitas sobre a natureza e os objectivos da entrevista, inicialmente solicitada com carácter de urgência e relevância, no contexto das celebrações dos 50 anos da Independência de Angola. Apesar da gravação ter ocorrido a 10 de Novembro do ano passado, Moco afirma que o conteúdo permanece por divulgar, tendo cessado todos os contactos posteriores por parte da referida estação.

O antigo primeiro-ministro considera que a situação poderá ultrapassar um simples critério editorial, apontando para uma possível estratégia de intimidação. Em causa estão, sobretudo, três questões colocadas no final da entrevista, que descreve como “sinistras”, relacionadas com um eventual apoio à UNITA nas eleições de 2027, a alegada vigilância por parte dos serviços secretos angolanos e o risco pessoal decorrente da sua exposição pública.

Na mesma publicação, Marcolino Moco denuncia o que classifica como uma cultura de intimidação associada à manutenção do poder político, sustentando que práticas de ameaça e medo continuam a ser utilizadas para silenciar vozes críticas. Sem mencionar casos concretos, refere a existência de episódios passados marcados por violência e perseguição de figuras públicas.

Relativamente às perguntas colocadas na entrevista, o antigo governante afirma ter respondido de forma clara. Sobre um eventual apoio eleitoral em 2027, sublinha que, desde o fim da guerra civil, o seu voto tem sido orientado por critérios de promoção de uma Angola mais inclusiva, afastando-se de lógicas de exclusão política. Para o próximo ciclo eleitoral, diz que a sua prioridade passa mais por contribuir para a transparência do processo do que por declarar apoio a qualquer força partidária.

Quanto às alegadas ameaças de morte, Marcolino Moco adopta um tom filosófico, relativizando o medo e defendendo que tais pressões não o afastarão das suas posições públicas. Ainda assim, admite preocupação com o ambiente político e com a persistência de práticas que, no seu entender, fragilizam o Estado de direito.

O ex-primeiro-ministro manifesta também expectativa de que a situação venha a ser esclarecida pela estação televisiva em causa, sublinhando a importância de preservar a credibilidade dos meios de comunicação social e de evitar a instrumentalização de entrevistas para fins que não sejam informativos.

As declarações surgem num contexto de crescente tensão política em Angola, à medida que se aproximam as eleições gerais de 2027, num ambiente marcado por críticas recorrentes da oposição e de sectores da sociedade civil quanto à transparência e equidade do processo eleitoral.

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