A decisão foi comunicada pelo ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araghchi, que indicou que a passagem de navios mercantes está autorizada durante todo o período da trégua. Segundo o governante, a circulação deverá obedecer às rotas previamente definidas e coordenadas com a Organização Portuária e Marítima do Irão.
Apesar da reabertura ao tráfego comercial, as autoridades iranianas sublinham que a interdição a embarcações militares se mantém em vigor. Um alto responsável das forças armadas, citado pela televisão estatal, reiterou que apenas navios civis poderão atravessar o estreito, devendo fazê-lo mediante autorização da marinha dos Guardas da Revolução e através dos corredores designados.
A medida surge na sequência do cessar-fogo recentemente estabelecido, que inclui também o Líbano, e representa um alívio parcial nas tensões que marcaram a região nas últimas semanas. Ainda assim, persistem limitações no plano militar, reflectindo a cautela de Teerão face ao contexto geopolítico.
Do lado norte-americano, o Presidente Donald Trump confirmou a reabertura da via marítima ao comércio internacional, mas afirmou que o bloqueio naval dos Estados Unidos dirigido ao Irão se mantém. O líder norte-americano acrescentou que as negociações em curso com Teerão poderão avançar rapidamente, sublinhando que grande parte dos pontos já foi discutida.
O Estreito de Ormuz, por onde transita uma parcela significativa do comércio global de energia, esteve recentemente no centro do conflito que envolveu o Irão, os Estados Unidos e Israel. O bloqueio da rota contribuiu para a subida dos preços do petróleo e aumentou os receios de uma crise económica à escala mundial.
O conflito, que também afectou o Líbano, provocou milhares de vítimas e agravou a instabilidade na região. A actual reabertura parcial do estreito é vista como um sinal de desanuviamento, embora o cenário permaneça marcado por incerteza e vigilância reforçada.

