Em declarações à Imprensa, a propósito do impacto do aumento do preço do petróleo no mercado internacional na economia angolana, o especialista referiu que, enquanto país exportador desta mercadoria, num primeiro cenário Angola beneficiará com a entrada de mais divisas, contribuindo para o aumento das receitas do Estado e melhoria da balança comercial.
Frisou que este movimento vai gerar um sentimento generalizado de aumento da actividade económica.
Em sentido oposto, o economista antevê o aumento do custo da importação de combustíveis e, consequentemente, dos gastos em subsídios.
Em consequência, de acordo com o também docente universitário, o preço dos transportes e da energia poderão subir, inflacionando, em cadeia, os bens alimentares e não alimentares, com destaque para o preço dos fertilizantes.
Detalhou que as implicações económicas, financeiras e sociais da guerra no Médio Oriente sobre a economia mundial terão sempre em conta a duração das hostilidades.
A guerra no Médio Oriente, centrada principalmente num conflito directo e expandido envolvendo Irão, Israel e os Estados Unidos, já gerou implicações profundas em múltiplas frentes. O conflito escalou significativamente após ataques directos à instalações nucleares iranianas e a expansão das hostilidades para vários países da região.
O encerramento e a ameaça a rotas estratégicas, como os estreitos de Ormuz e Bab el-Mandeb (responsáveis pela passagem de uma grande percentagem do petróleo e gás natural mundial), causaram choques nos preços da energia.
O conflito deixou de ser localizado, atingindo países como o Bahrein, Kuwait, Arábia Saudita, Catar e os Emirados Árabes Unidos (Dubai e Abu Dhabi), frequentemente visados por albergarem bases militares norte-americanas.
O Fundo Monetário Internacional (FMI) descreve a situação como um "choque global assimétrico", com pressão renovada sobre a inflação mundial e impactos directos no custo de vida, incluindo combustíveis e crédito à habitação.
Desde a escalada do conflito, a 28 de Fevereiro deste ano, o preço do barril de petróleo Brent, de referência às ramas exportadas por Angola, já chegou aos 119 dólares.

