Terça, 18 de Agosto de 2026
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Terça, 18 Agosto 2026 16:49

SIC detém curandeira suspeita de envolvimento na morte de duas idosas

Duas mulheres, de 65 e 77 anos, morreram no Hospital dos Cajueiros, em Luanda, depois de terem recorrido a um tratamento tradicional para uma infecção nos pés, vulgarmente conhecida como “tala”. Uma mulher de 57 anos, apontada como responsável pelo tratamento, foi detida pelo Serviço de Investigação Criminal (SIC), sob suspeita de envolvimento num caso de duplo homicídio por negligência.

O caso ocorreu na manhã de 11 de Agosto de 2026, por volta das 07h40, no bairro Boa-Fé, município dos Mulenvos, em Luanda.

Segundo o porta-voz do SIC-Luanda, Fernando Carvalho, as investigações preliminares indicam que uma das envolvidas conduziu as duas mulheres à residência da suspeita, de 57 anos, para receberem tratamento tradicional destinado a combater a erisipela, uma infecção da pele popularmente conhecida como “tala”.

Durante o procedimento, a curandeira terá preparado uma mistura à base de raízes, sob a forma de um líquido de cor acastanhada, que foi administrado às duas mulheres para ingestão.

Pouco depois de consumirem a substância, Isabel Pedro Correia, de 77 anos, e Esperança Sebastião Francisco, de 65 anos, ambas solteiras, começaram a apresentar sinais de indisposição e complicações de saúde.

As duas mulheres foram socorridas e transportadas para o Hospital dos Cajueiros, onde acabaram por morrer.

Na sequência das mortes, a mulher de 57 anos foi detida pelo SIC e deverá responder pelo crime de duplo homicídio por negligência, segundo as autoridades.

No entanto, o Serviço de Investigação Criminal ainda procura determinar a relação exacta entre a substância administrada durante o tratamento e a morte das duas vítimas.

As autoridades pretendem identificar a composição do líquido ingerido pelas mulheres, esclarecer em que circunstâncias foi preparado e administrado e apurar eventuais responsabilidades criminais de todos os envolvidos.

O SIC prossegue as investigações enquanto a suspeita permanece à disposição das autoridades competentes.

O caso volta a levantar questões sobre os riscos associados à utilização de tratamentos tradicionais sem acompanhamento clínico, sobretudo quando são administradas substâncias cuja composição, concentração e possíveis efeitos no organismo não estão devidamente identificados.

Até ao esclarecimento das causas das mortes, as autoridades mantêm em aberto a investigação para determinar se a substância ingerida pelas vítimas esteve directamente relacionada com o desfecho fatal.

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