As declarações foram feitas à imprensa após um encontro com militantes e dirigentes da FNLA, realizado em paralelo com uma assembleia electiva promovida por uma ala dissidente, que elegeu 11 delegados para o processo congressual.
Perante as divisões existentes, Nimi a Simbi procurou desvalorizar o impacto da crise interna, reconhecendo, no entanto, que o partido enfrenta desafios. Ainda assim, garantiu que a direcção está empenhada em criar todas as condições necessárias para a realização do congresso, em conformidade com os estatutos da formação política.
Segundo o líder da FNLA, já foi constituída a Comissão Organizadora do VI Congresso Ordinário, composta por 11 subcomissões de trabalho, que terão a responsabilidade de desenvolver actividades nas diversas províncias do país, assegurando a preparação política, organizativa e logística do conclave.
Nimi a Simbi afirmou igualmente que os trabalhos preparatórios decorrem com normalidade e apelou aos militantes para privilegiarem a unidade e o respeito pelos órgãos internos do partido como forma de ultrapassar as divergências.
No entanto, a preparação do congresso continua a ser motivo de forte contestação no seio da FNLA. Um grupo de militantes exige uma resposta urgente do Tribunal Constitucional (TC) a uma exposição apresentada sobre a existência de duas comissões preparatórias distintas para o VI Congresso Ordinário, inicialmente apontado para decorrer entre 23 e 25 de Setembro.
De acordo com Vita Francisco, porta-voz dos militantes contestatários, o conflito resulta da criação de duas estruturas concorrentes: uma indicada pela direcção liderada por Nimi a Simbi e outra constituída pelo Comité Central do partido.
Na carta remetida ao gabinete dos partidos políticos do Tribunal Constitucional, os subscritores acusam o actual presidente da FNLA de violar os estatutos internos, bem como as normas e princípios que regem a organização.
Os militantes alertam ainda que a persistência da crise interna poderá comprometer a capacidade de mobilização da FNLA e afectar o seu desempenho nas eleições gerais previstas para 2027.
Além da iniciativa dos militantes, também o Comité Central apresentou ao Tribunal Constitucional um conjunto de denúncias relacionadas com alegadas violações dos estatutos e com aquilo que considera ser uma falta de capacidade de liderança da actual direcção.
Nimi a Simbi tem rejeitado publicamente todas as acusações, negando ter actuado à margem dos estatutos ou exercido uma liderança de carácter autoritário.
Eleito presidente da FNLA no congresso de 2021, Nimi a Simbi assumiu, na altura, o compromisso de reunificar o partido, encerrando um longo ciclo de instabilidade interna vivido durante a liderança de Lucas Bengui Ngonda. Contudo, quatro anos depois, a formação histórica da luta de libertação de Angola continua confrontada com profundas divisões, precisamente numa fase considerada determinante para a definição da sua estratégia política para os próximos anos.

