A consultora Fitch Solutions considerou hoje que o Governo de Angola vai continuar a agenda reformista nos próximos trimestres, mas alerta que as acusações de corrupção colocam riscos elevados para a estabilidade social.
A chegada de brigadas caninas e polícia de intervenção rápida para controlar as dezenas de jovens que se concentram desde manhã junto ao tribunal provincial de Luanda gerou revolta e exaltou os ânimos, registando-se arremesso de objetos.
Juristas angolanos concordaram hoje que o decreto do estado de calamidade pública não se sobrepõe à Constituição, pelo que não pode restringir direitos e garantias fundamentais dos cidadãos, como as manifestações.
Os seis profissionais, detidos no sábado quando cobriam uma manifestação em Luanda, não vão ser presentes a julgamento sumário como a outra centena de pessoas levadas pela polícia. Ex-líder da UNITA reuniu-se com o Presidente João Lourenço para ouvir explicações.
O julgamento sumário de mais de 100 activistas cívicos e jornalistas, ainda não aconteceu porque o Tribunal e os advogados de defesa supostamente não sabem por quais crimes os mesmos são acusados.
Um advogado que representa os manifestantes que saíram às ruas de Luanda no sábado, hoje presentes a julgamento, afirmou que mais de cem pessoas estão detidas sem acusação e que alguns apresentavam sinais de agressões, num "cenário que demonstra tortura".
A organização não-governamental (ONG) angolana OMUNGA condenou hoje a atuação da polícia na manifestação de sábado passado, alertando o executivo para o “recrudescimento da cultura de violência", que "o Presidente da República prometeu combater e inverter”.