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Segunda, 11 Mai 2026 14:41

Media públicos angolanos anunciam paralisação nacional de três dias

Funcionários das empresas públicas de comunicação social ou sob tutela do Estado em Angola decidiram retomar a greve convocada em 2025, para exigir progressões na carreira, foi hoje anunciado.

A deliberação da retomada da greve nacional foi aprovada, no sábado, por unanimidade, em assembleia-geral orientada pelo Sindicato dos Jornalistas Angolanos (SJA), tendo os trabalhadores aplaudido em uníssono a paralisação, cuja primeira fase está agendada para 18 a 20 deste mês, garantindo, no entanto, “serviços mínimos”.

O secretário-geral do SJA, André Mussamo, recordou que a greve convocada no ano passado não se efetivou devido a uma providência cautelar intentada pelas entidades patronais na altura, pelo que vai ser retomada agora.

“Uma vez extinguida a providência cautelar, por ausência de uma ação principal, vamos fazer esta greve de três dias, a começar na segunda-feira, dia 18 de maio, uma greve nacional”, disse o sindicalista citado hoje pela Emissora Católica de Angola.

Progressão na carreira, melhores condições laborais, disponibilidade de transporte para serviços de reportagem e transparência nas contas e mapas salariais constam entre as reivindicações dos profissionais angolanos da comunicação social.

André Mussamo afirmou que, nesta primeira fase da paralisação, o SJA vai igualmente esgotar os argumentos “um pouco esfarrapados” trazidos pelas entidades patronais sobre os serviços mínimos no setor.

“Desta vez vamos garantir os serviços mínimos, com um editor de piquete para assegurar comunicações urgentes inadiáveis, um locutor de continuidade [na rádio] para informações de última hora e, para jornais e agências, também um editor de piquete”, especificou.

A greve, cuja segunda fase deve decorrer entre 01 e 05 de junho próximo, tem caráter nacional, reforçou o secretário-geral adjunto do SJA, salientando, no entanto, que fica “a porta aberta para negociações”.

“Desta vez não será mais por força de promessas, porque o que desgastou [os trabalhadores] foi a repetida promessa desde janeiro sobre a progressão nas carreiras que não se concretizou até ao momento”, concluiu.

A paralisação foi aprovada pelos trabalhadores da Rádio Nacional de Angola (RNA), Televisão Pública de Angola (TPA), Edições Novembro (detentora do Jornal de Angola, Jornal dos Desportos, Jornal Cultura e Jornal Economia e Finanças), Agência Angola Press, Media Nova (detentora do Jornal O País, Rádio Mais e Gráfica Dammer) e TV Zimbo, estas duas últimas já detidas pelo Estado no âmbito do processo de recuperação de ativos.

Em setembro de 2025, o SJA convocou a primeira fase de greve, que deveria prolongar-se até dezembro daquele ano, mas o Tribunal da Comarca de Luanda decidiu suspender a greve geral convocada pelos trabalhadores dos órgãos públicos de comunicação social e tutelados pelo Estado, alegando violação de direitos fundamentais dos cidadãos.

Em resposta à providência cautelar interposta pelas direções das empresas públicas de comunicação social, que defendem a garantia dos serviços mínimos durante a greve convocada pelo SJA, o tribunal referiu, na altura, que a deliberação do SJA “violava” direitos dos cidadãos de se informarem e serem informados.

Contudo, hoje o secretário-geral adjunto do SJA assegurou que a paralisação convocada a partir da próxima segunda-feira terá serviços mínimos.

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