À distância de quase 9 mil quilómetros, Luanda optou por uma posição neutral no conflito russo-ucraniano ao cultivar, à esquerda, relações históricas com Moscovo e ao manter, à direita, relações comerciais com Kiev. Mas a invasão da Ucrânia ameaça prejudicar a economia angolana, pois põe em causa alguns negócios, nomeadamente na área dos diamantes.
A Cedesa, entidade que analisa assuntos de Angola, defendeu hoje que o Governo angolano deve criar uma reserva especial com as mais-valias da subida do preço do petróleo para garantir o abastecimento de cereais à população e investimento agropecuário.
A consultora Oxford Economics Africa considerou hoje que a valorização da moeda nacional de Angola, o kwanza, é a principal arma para compensar o aumento dos preços dos bens importados para este país africano lusófono.
O ministro da Indústria e Comércio angolano disse hoje que o “mundo não vai parar de produzir trigo”, em consequência da invasão militar da Rússia na Ucrânia, mas admitindo “efeito cascata de aumento de preços”, sobretudo do pão.
O banco central angolano deverá emitir, em abril, um novo aviso para a concessão de crédito bancário à economia real, que inclui agora financiamentos à aquisição de matéria-prima e insumos e apoio à tesouraria, informou hoje a instituição.
Um economista angolano disse hoje que a atual apreciação do kwanza resulta da maior oferta de divisas no mercado, fruto do aumento do preço do petróleo, e de política monetária restritiva, admitindo trajetória ascendente e taxas flutuantes.
A moeda nacional de Angola foi a que mais valorizou desde o princípio do ano face ao dólar, ganhando 20%, impulsionada pela subida dos preços do petróleo, aumento da estabilidade macroeconómica, política monetária e subida do 'rating'.