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Sexta, 04 Setembro 2026 12:18

Angola quer deixar de exportar minerais concentrados e avançar para a refinação de terras raras

O ministro dos Recursos Minerais, Petróleo e Gás, Diamantino Pedro Azevedo, encorajou esta quinta-feira, no Huambo, as empresas angolanas do sector a apostarem na refinação dos produtos minerais estratégicos da economia global, em vez de se limitarem à exportação de concentrados.

Em declarações à imprensa, no final de uma visita ao projecto de Refinaria de Elementos Terras Raras do Longonjo, acompanhado pelo governador da província do Huambo, Pereira Alfredo, o governante afirmou que a iniciativa visa dar valor acrescentado aos produtos minerais estratégicos, reforçando assim a robustez da indústria extractiva angolana.

Diamantino Azevedo reconheceu que a transformação das terras raras em produtos intermediários ou finais continua a ser um processo complexo, ainda que represente um nicho de mercado com forte potencial. O ministro manifestou-se satisfeito por saber que a empresa Ozango Minerais já iniciou os estudos que, para além da produção, permitirão no futuro avançar para a separação e refinação dos minerais extraídos na localidade.

Segundo o governante, a partir de 2028 o Projecto de Terras Raras do Longonjo passará a extrair quatro elementos de terras raras, número que duplica os dois inicialmente previstos. O Ministério vai trabalhar em conjunto com a empresa para superar a etapa mais difícil — a saída do concentrado — e avançar para a separação e refinação dos produtos minerais desta concessão.

Diamantino Azevedo classificou o processo como de "alta complexidade", mas garantiu que os objectivos serão alcançados de forma paulatina, com a intervenção do Fundo Soberano de Angola, que herdou as acções da Ferrangol num projecto com reservas aprovadas para mais de 20 anos de exploração.

Por seu turno, o presidente do Conselho de Administração da Ozango Minerais, Alcídio José, adiantou que a primeira fase do projecto terá um volume extractivo de cerca de 42 milhões de toneladas de minério bruto, com o processado a atingir perto de 20 mil toneladas por ano de concentrado misto de terras raras.

De acordo com o responsável, o mapeamento geológico dos recursos na zona de concessão permitiu identificar, numa primeira fase, neodímio e praseodímio, elementos com maior interesse económico. Trabalhos posteriores confirmaram ainda a presença de disprósio, reforçando o potencial da concessão.

Alcídio José adiantou que o projecto mineiro prevê a contratação de 600 funcionários directos na fase de construção e mais 400 na fase de exploração, número que não contabiliza os serviços prestados por fornecedores. A mina tem um tempo de exploração estimado em 20 anos, de acordo com os estudos já realizados.

Quanto ao processo de indemnização das famílias que vivem em redor da mina — cuja área de exploração ocupa 33 quilómetros quadrados —, o responsável da Ozango Minerais informou que está em curso um programa de reassentamento, implementado de forma faseada, sublinhando que já foram indemnizadas cerca de 100 famílias.

O que são as terras raras

As terras raras são substâncias encontradas em concentrações relativamente baixas na natureza, que precisam de ser escavadas e processadas com recurso a reagentes químicos. O consumo mundial destes materiais atinge as 150 mil toneladas por ano.

Existem 17 tipos de metais classificados como "terras raras", mas apenas seis são mais conhecidos: neodímio, lantânio, praseodímio, gadolínio, samário e cério.

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