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Sexta, 24 Julho 2026 11:12

SIC detém quatro efectivos por alegado homicídio de agente da PIR em Viana

Luanda – O Serviço de Investigação Criminal (SIC) anunciou o esclarecimento das circunstâncias da morte do efectivo da Polícia de Intervenção Rápida (PIR), Joaquim Afonso Cardoso Gunza, de 33 anos, e de um segundo cidadão ainda por identificar, tendo detido quatro efectivos das forças de segurança por alegado envolvimento no caso.

Segundo uma nota de imprensa divulgada pela instituição, entre os detidos encontram-se um Agente de Investigação Criminal de 3.ª Classe do SIC e três efectivos da Polícia Nacional, nomeadamente um intendente, comandante da Esquadra da Vila Azul, um subinspector, chefe de pelotão da mesma esquadra, e um primeiro-subchefe que se encontrava de serviço à data dos factos.

Os suspeitos são investigados por fortes indícios da prática dos crimes de homicídio qualificado, sonegação de cadáver e ocultação de provas, mediante mandados emitidos pelo Ministério Público.

Crime terá ocorrido no interior da Esquadra da Vila Azul

De acordo com o SIC, a investigação concluiu que o homicídio ocorreu na madrugada de 16 de Julho de 2026, na parte dianteira do quintal da Esquadra da Vila Azul, no município de Viana.

As autoridades referem que o presumível autor dos disparos, um agente do SIC actualmente em fuga, encontrava-se fora de serviço e em convívio com outro agente entretanto detido e um terceiro indivíduo ainda por localizar, num estabelecimento de diversão nocturna na zona do Luanda Sul.

Segundo a versão apresentada pelo SIC, o grupo abordou a vítima, que seguia numa motorizada conduzida por um mototaxista, levando ambos para o interior da esquadra.

Durante um alegado desentendimento no momento em que as vítimas eram obrigadas a sair do veículo, terão sido efectuados disparos com uma pistola, provocando a morte imediata dos dois homens.

Agentes de piquete terão assistido sem intervir

A investigação sustenta ainda que vários efectivos da Polícia Nacional que se encontravam de serviço de piquete terão presenciado os acontecimentos, sem, contudo, intervirem para impedir a acção.

Segundo o SIC, esses agentes são igualmente suspeitos de terem contribuído para o encobrimento dos factos, por não terem comunicado a ocorrência nem adoptado medidas contra os alegados autores.

Cadáveres abandonados na via pública

Após os disparos, os autores terão transportado os corpos para o bairro Belo Horizonte, onde abandonaram os cadáveres na via pública, juntamente com objectos pessoais das vítimas e invólucros de munições, numa alegada tentativa de ocultar as provas do crime.

No local, peritos do SIC realizaram uma inspecção judicial que permitiu apreender uma pistola da marca TT, um bilhete de identidade, uma carteira contendo um passe da Polícia Nacional e uma motorizada da marca Kawasaki, de cor preta e sem matrícula.

Os corpos foram posteriormente removidos para a Morgue Central de Luanda, onde deverão ser submetidos a exames médico-legais.

Câmaras de vigilância ajudaram a identificar suspeitos

Segundo o comunicado, as imagens recolhidas por câmaras de videovigilância instaladas na zona permitiram identificar a viatura utilizada pelos presumíveis autores, elemento considerado determinante para o avanço da investigação.

O SIC informou ainda que prosseguem diligências para localizar o agente apontado como principal suspeito dos disparos e outros eventuais envolvidos no caso.

Processos criminais e disciplinares

Além do procedimento criminal, foi igualmente instaurado um processo disciplinar contra os efectivos envolvidos, podendo as sanções culminar na expulsão das corporações.

Os quatro detidos deverão ser presentes ao Ministério Público para os competentes trâmites legais.

Na nota de imprensa, o Serviço de Investigação Criminal reafirma o seu compromisso com a verdade, a legalidade e a responsabilização dos seus efectivos, sublinhando que qualquer violação dos direitos e liberdades dos cidadãos será alvo de sanções severas.

A instituição manifestou ainda pesar pelas mortes ocorridas e apelou à colaboração da população para a identificação da segunda vítima, cujos familiares continuam por localizar.

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