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Sábado, 24 Outubro 2026 11:34

Governo gasta mais de mil milhões de dólares em viaturas e Adalberto Costa Júnior questiona: «Não há dinheiro?»

O presidente da UNITA, Adalberto Costa Júnior, questionou os gastos do Estado angolano na aquisição de viaturas, depois de dados divulgados pelo jornal Expansão, com base na Conta Geral do Estado, indicarem que a despesa ultrapassou 1.116,7 milhões de dólares nos últimos três anos.

Numa publicação na sua página, o líder do maior partido da oposição criticou o volume de recursos destinados à compra de veículos, considerando que os valores devem ser confrontados com as dificuldades económicas e sociais que afectam grande parte da população.

«Em três anos, mais de mil milhões de dólares em viaturas. E depois dizem que não há dinheiro!», escreveu Adalberto Costa Júnior, defendendo que os responsáveis governamentais devem explicar aos angolanos os critérios que orientam a utilização dos recursos públicos.

Segundo os dados citados pelo Expansão, Angola gastou 751,9 milhões de dólares em veículos em 2025, contra 215,5 milhões de dólares em 2024. No conjunto dos últimos três anos, a despesa terá ultrapassado os 1.116,7 milhões de dólares.

Oposição exige transparência nas aquisições

Para o presidente da UNITA, a questão não se resume ao montante gasto, mas também à identificação dos veículos adquiridos, aos preços praticados, às entidades beneficiárias e às razões que justificaram as compras.

De acordo com a informação divulgada pelo Expansão, o Ministério das Finanças não discriminou os tipos de viaturas adquiridas, uma lacuna que, segundo a crítica apresentada pelo dirigente político, dificulta a avaliação da despesa pública.

A divulgação detalhada das aquisições permitiria conhecer melhor a distribuição dos recursos, identificar os organismos beneficiários e avaliar se os gastos correspondem às necessidades operacionais dos serviços do Estado.

A transparência neste domínio é particularmente relevante perante despesas de grande dimensão, que exigem informação suficiente para que os cidadãos possam acompanhar a aplicação do dinheiro público e avaliar os resultados alcançados.

Despesas com viaturas contrastam com dificuldades económicas

Na sua mensagem, Adalberto Costa Júnior apontou as dificuldades enfrentadas pelos empresários, o encerramento de empresas e as limitações no acesso ao crédito por parte dos jovens empreendedores.

O líder da UNITA referiu igualmente as condições de vida de professores, médicos, polícias e outros funcionários públicos, cujos salários, afirmou, são insuficientes para satisfazer as necessidades básicas.

Neste contexto, defendeu que a despesa com veículos deve ser analisada em função das necessidades mais urgentes do país, incluindo o reforço dos serviços de saúde e educação, o acesso à água potável e ao saneamento, o apoio à produção nacional e a criação de mecanismos de financiamento para jovens que pretendem desenvolver actividades empresariais.

A discussão envolve também o custo de oportunidade da despesa pública. Isto significa que os recursos utilizados numa determinada finalidade deixam de estar imediatamente disponíveis para financiar outras necessidades. No entanto, a avaliação do impacto das aquisições depende de informação detalhada sobre os veículos comprados, os seus custos e as funções que desempenham nos serviços públicos.

UNITA propõe mudança nas prioridades de investimento

Como alternativa, Adalberto Costa Júnior afirmou que, num eventual Governo da UNITA, a orientação dos investimentos públicos seria alterada, com maior prioridade para a produção, o emprego e o desenvolvimento económico.

«Menos ostentação, mais produção; menos luxo, mais emprego; menos despesas supérfluas, mais escolas, hospitais», escreveu o dirigente, apresentando a sua visão sobre a aplicação dos recursos do Estado.

A proposta inclui o reforço do crédito às empresas e aos jovens empreendedores, bem como a criação de condições para que as famílias possam desenvolver actividades económicas e gerar riqueza.

A posição insere-se na crítica política da UNITA à gestão das prioridades orçamentais e na defesa de uma maior afectação de recursos a sectores considerados essenciais para o desenvolvimento do país.

A concretização desta orientação dependeria, contudo, de medidas orçamentais específicas, da identificação das fontes de financiamento e da definição de mecanismos que permitissem avaliar os resultados das políticas propostas.

Despesa pública no centro do debate

Os valores apresentados pelo Expansão colocam em discussão a dimensão dos gastos com veículos e a necessidade de esclarecer a sua finalidade. Para além do montante global, importa conhecer os preços praticados, os procedimentos de aquisição, os organismos beneficiários e os resultados obtidos com o investimento.

A crítica de Adalberto Costa Júnior centra-se na necessidade de confrontar estas despesas com as dificuldades económicas e sociais do país e de avaliar se a distribuição dos recursos públicos corresponde às prioridades da população.

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