Segundo o comunicado da formação política, os confrontos terão eclodido depois de as autoridades policiais terem procedido ao desenterramento do caixão do monarca, num contexto de desacordo entre o executivo provincial e os responsáveis étnicos quanto ao destino a dar aos restos mortais. O episódio, descreve o partido, gerou um clima de tensão que rapidamente se traduziu em confrontos no terreno.
Para além da disputa em torno do funeral, o PRA-JÁ SERVIR ANGOLA dá conta de outras informações que classifica como "extremamente graves": relatos de cidadãos desaparecidos ou alegadamente raptados, bem como populações que, receando represálias e por sentirem insegurança, estariam a abandonar as suas comunidades rumo à vizinha República da Zâmbia em busca de refúgio.
O partido liderado por Abel Chivukuvuku exige que estas informações sejam "imediatamente esclarecidas pelas autoridades competentes", com garantias de segurança, integridade física e respeito pelos direitos de todos os cidadãos envolvidos.
Diálogo em vez de confronto
Na sua posição pública, o PRA-JÁ SERVIR ANGOLA sublinha que uma questão desta natureza "exigia, acima de tudo, diálogo, sensibilidade e entendimento entre as partes". O partido defende que os funerais de autoridades tradicionais não podem ser tratados apenas sob um prisma administrativo, uma vez que estão intimamente ligados à história, à cultura, à identidade e às crenças das comunidades.
A nota recorda que, em diversas sociedades africanas, os funerais de reis, sobas e outras autoridades tradicionais obedecem a rituais e práticas específicas, integradas na memória colectiva e na identidade cultural dos povos — razão pela qual, argumenta o partido, qualquer decisão sobre o local e a forma do sepultamento deveria ser conduzida com "particular respeito e sensibilidade".
Segundo o PRA-JÁ SERVIR ANGOLA, perante as divergências existentes, o caminho adequado seria reunir as partes envolvidas em torno de uma solução consensual, capaz de conciliar as normas do Estado com os costumes e a vontade da família e da comunidade tradicional. O recurso a acções que resultaram em confrontos e feridos, remata o comunicado, "não constitui a melhor resposta" para um problema que poderia ter sido resolvido pela via da concertação.
Papel do Estado e das comunidades
O partido reconhece que cabe ao Estado garantir a ordem e a segurança pública, mas insiste que essa função deve ser conjugada com a capacidade de diálogo e de escuta, procurando sempre soluções que evitem o confronto directo com as populações. Em contrapartida, apela a que as comunidades defendam os seus interesses através de meios pacíficos e dos mecanismos legais disponíveis.
O PRA-JÁ SERVIR ANGOLA manifesta solidariedade para com os cidadãos afectados pelos acontecimentos e apela à serenidade de todas as partes envolvidas, defendendo um esclarecimento cabal dos factos e a prevalência, daqui em diante, do diálogo entre as autoridades governamentais, as autoridades tradicionais, a família do Rei falecido e os representantes da comunidade.
"Não podemos aceitar que uma divergência em torno das exéquias de uma autoridade tradicional evolua para uma crise que coloque em risco a vida, a segurança e a dignidade das populações", afirma o partido, que termina recordando o carácter multicultural de Angola. "A sua riqueza também reside na diversidade dos seus povos, costumes e tradições. Respeitar essa diversidade é igualmente construir uma sociedade mais unida e mais justa", conclui o comunicado do PRA-JÁ SERVIR ANGOLA.

