Em declarações à DW África, Malavidele afirmou que a decisão não constitui uma surpresa, sustentando que as disputas em torno das candidaturas à liderança do partido no poder têm marcado a história recente do MPLA.
"É uma decisão que não me surpreende. Quem é angolano sabe e conhece a realidade, sobretudo do partido no poder. A questão das multicandidaturas sempre foi um grande problema, desde o tempo de José Eduardo dos Santos. Creio que não será agora, neste período que antecede 2027, que isso vai acontecer", afirmou.
Na terça-feira, o MPLA anunciou a anulação da candidatura de Higino Carneiro, alegando a existência de irregularidades no processo, entre as quais a falsificação de assinaturas. O partido informou ainda que o caso será remetido aos órgãos jurisdicionais internos e admitiu a eventual responsabilização criminal dos envolvidos.
A equipa do general Higino Carneiro, por sua vez, rejeitou a decisão e anunciou que irá impugná-la, recorrendo aos mecanismos previstos nos regulamentos internos do partido.
Para João Malavidele, o ambiente de tensão em torno da sucessão na liderança do MPLA compromete a imagem de abertura democrática da organização.
"Estamos a falar de alguém que é uma figura de proa no seio do partido. As eleições internas deveriam ser uma festa, mas, infelizmente, quando há manifestações de vontade de outros militantes para liderar o MPLA, surgem fricções que não ajudam na democratização do próprio partido e lançam algumas sementes podres naquilo que é a conjuntura do país, relativamente ao processo de democratização das instituições", declarou.
Questionado sobre a decisão da equipa de Higino Carneiro de contestar a anulação da candidatura, o ativista defendeu que a impugnação constitui um procedimento legítimo e necessário.
"Não diria que é uma perda de tempo. São procedimentos normais que qualquer mandatário ou equipa de candidatura deve utilizar para impugnar uma decisão desta natureza. O importante é que fique registado e que se vá criando jurisprudência em torno destes processos", afirmou.
Malavidele apelou ainda a uma tramitação célere do recurso e manifestou expectativa de que os órgãos internos do MPLA analisem o processo com imparcialidade.
"É preciso que haja alguma celeridade neste processo de impugnação e esperar também que exista sensibilidade por parte das instituições internas do partido", concluiu.
A anulação da candidatura de Higino Carneiro surge numa altura em que o MPLA prepara o processo de renovação da sua liderança, num contexto em que o partido enfrenta um dos mais disputados debates internos dos últimos anos.

