Vítor Hugo Guilherme intervinha numa sessão de apresentação do novo relatório do FMI sobre as Perspectivas Económicas Regionais da África Subsariana, realizada esta Quinta-feira em Luanda, na qual participaram também o representante do FMI em Angola, Vítor Lledo, e o responsável do Banco Nacional de Angola (BNA), Domingos Pedro.
Sobre as recomendações do FMI, o ministro disse que o Governo "extrai quase as mesmas conclusões" face à situação da crise mundial — o aumento do preço do petróleo, a escassez de combustíveis e o aumento dos fertilizantes –, mas que não vai precipitar-se.
Para o governante, as recomendações das instituições internacionais devem ser encaradas como "uma contribuição", mas não se podem tomar "decisões precipitadas" com base apenas na apresentação de um relatório.
"Temos de analisar. Nós, a nível do Governo, estamos a analisar todas essas situações. Se calhar temos algumas ideias coincidentes, convergentes", disse.
"Oportunamente vamos anunciar as medidas que estão a ser estudadas em função da crise", afirmou, acrescentando que serão tomadas medidas alinhadas "com as dificuldades dos (...) empresários e da (...) economia".
O ministro disse também que a visão do Executivo "nem sempre é coincidente com a do FMI e do Banco Mundial", referindo-se à diferença entre a projecção do Governo de um crescimento económico de 4,2 por cento para 2026 e os 2,3 por cento previstos pelo FMI, diferença que justificou pelo facto de as análises serem feitas em momentos diferentes.
Sobre a eventual redução de impostos aduaneiros sugerida pelo vice-governador do BNA, Domingos Pedro, o ministro salientou que "em economia há várias escolas de pensamento e o mesmo acontece em relação aos impostos".
"Eu, se calhar, não estou de acordo", admitiu, justificando que o Governo fez "um esforço muito grande no aumento da produção" e não quer perder esse ganho "em favor do incentivo à importação".
"São vários pensamentos e isto estará em cima da mesa quando tomarmos decisões concretas", acrescentou.
Angola, tal como outros países, enfrenta pressões externas acrescidas devido ao conflito no Médio Oriente e ao bloqueio do estreito de Ormuz, com impacto nos preços do petróleo, dos combustíveis e dos fertilizantes.
O FMI alertou esta Quinta-feira que Angola parte para este período "com as suas almofadas fiscais exauridas" e recomendou contenção nas despesas e redução do endividamento, recorrendo às receitas petrolíferas.

