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Segunda, 20 Abril 2026 12:31

O ditador abençoado: Angola precisa de liberdade e de justiça social

Angola somente dará certo caso venha a ter previsibilidade económica e financeira. O país só prosperará quando for vacinado contra os vícios e contra o usufruto ilegal do erário público.

A estabilidade fiscal, económica e financeira, e sobretudo a segurança jurídica, só terão êxito com a despartidarização do aparelho de Estado.

É fundamental construir caminhos para que as reformas políticas e administrativas permitam criar mecanismos capazes de gerar a tão ambicionada economia diversificada.

Não se podem tolerar políticas públicas de desinformação que sancionam negativamente a esmagadora maioria do povo angolano. As televisões e rádios em Angola têm agido como agentes políticos antipovo.

Não se poderá mudar os paradigmas de Angola se continuarmos a respeitar a opinião torpe de quem nos oprime. O cidadão, e em particular a juventude, devem ser o pesadelo agressivo de todos aqueles que querem continuar a roubar o sonho libertário do povo oprimido.

Sabemos todos que aqueles que roubam as riquezas e o resultado financeiro do erário em nome de Deus devem ser combatidos à exaustão, pois até o próprio Deus já os constituiu em inimigos da liberdade e da fé do povo.

É uma autêntica bizarrice, inaceitável a todos os níveis, que o Papa Católico Romano se faça acompanhar em público, no interior do papamóvel, na companhia de um ditador confesso e mentiroso compulsivo. Angola é um Estado constitucional laico e, por assim ser, não é aceitável nem permissível que o presidente da ditadura angolana tenha a permissão do Papa para se apresentar perante os angolanos na companhia de tão caricata e impopular personagem.

Para os angolanos atentos, essa atitude do Santo Padre não é aceitável.

A presença de João Lourenço no interior do papamóvel cheira a tentativa de branquear a imagem desbotada do tirano.

Fazer-se conduzir lado a lado com o Sumo Pontífice foi um horripilante desastre para o angolano religioso não católico e até mesmo para os católicos de raiz.

Esse gesto representou um claro atentado insultuoso à consciência dos angolanos e à Constituição angolana.

Mesmo tratando-se de uma constituição atípica, os realizadores da visita papal deveriam ter tido maior respeito e também mais cuidado para com o povo crente e não crente.

Perguntas incómodas têm de ser frontalmente feitas e encaradas com tolerância pacífica: como ficará o cidadão não católico face à insultuosa presença do ditador João Lourenço no interior do papamóvel? O que restará do país religioso após a visita do Papa? O chefe da ditadura sairá dessa visita mais humano e um governante mais competente?

É claro que não.

Porém, é preciso não alimentar esperanças vãs que não se traduzam em grandes realizações e em absolutas verdades governativas.

O país político está no inferno e vai continuar pessimamente mal enquanto João Lourenço se mantiver na presidência do MPLA e da República.

O país continuará retrógrado se deixarmos os "capainhas" da vida conduzirem plenamente o processo eleitoral congregacional, sem que sejam deliberadamente sujeitados a uma fulminante prova de fogo da parte da militância activa organizada.

Que fique bem esclarecido: essa gente corrupta foi escolhida a dedo para roubar a eleição presidencial do MPLA, além de também baralhar e dar as cartas no 11.º Congresso do MPLA para manter o actual presidente incólume na presidência do partido.

Pois o objectivo principal é o de manipular as eventuais candidaturas múltiplas.

É importante alertar os candidatos à cadeira maior do MPLA que estejam superatentos.

É preciso manter avivado o interesse da militância pela luta das múltiplas candidaturas; é fundamental chegar forte ao Congresso.

É preciso injectar cuidadosamente a esperança a todos os adeptos das múltiplas candidaturas, para que não caiam em ardilosas ciladas. Pois os gestores do Congresso foram todos escolhidos pela actual direcção do MPLA, sem consultar a militância extra-comité central nos CACs.

É importante evitar que a militância jamais embarque no jogo sujo dos lourencistas.

Eles já têm a máquina montada para adulterar o resultado final do pleito.

Há um ditado narrado pelo jornalista meu amigo William Tonet, que diz o seguinte: só porque o leão não comeu carne por um dia, não significa que o paquiderme se tenha tornado vegetariano.

Nunca se deve confiar no ladrão, menos ainda pensar que ele não irá defraudar o Congresso.

Não nos esqueçamos do que aconteceu nas eleições da JMPLA e da OMA, onde a fraude eleitoral e a ameaça despudorada estiveram presentes para eleger na JMPLA o "Capapinha filho", candidato escolhido a dedo pelo presidente do MPLA. Da mesma forma, foi público o cancelamento de candidaturas para que restasse apenas uma candidata para concorrer à presidência da OMA — a escolhida foi a candidata do gosto do chefe do partido. Isso mostra que a fraude não se constituiu no acto de votação; a fraude é um processo cuidadosamente delineado.

Assim sendo, as candidaturas devem conseguir mais do que as cinco mil inscrições de militantes recomendadas, devem cumprir rigorosamente todos os requisitos inerentes à legalização das suas candidaturas para concorrer à presidência do MPLA.

Contudo, a documentação deve ser apresentada apenas três a cinco dias antes da data estipulada. Assim evitam-se desnecessários contratempos.

Estamos Juntos

Por Raúl Diniz

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