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Domingo, 28 Junho 2026 12:27

Filho do Presidente do Uganda ordena encerramento dos principais meios de comunicação independentes

O principal grupo de comunicação social independente do Uganda denunciou estar sob um "cerco militar", após o chefe das Forças Armadas, o general Muhoozi Kainerugaba — filho do Presidente Yoweri Museveni — ordenar o encerramento de vários órgãos de comunicação social, incluindo canais de televisão, jornais e estações de rádio.

Segundo o jornal Daily Monitor, militares fortemente armados foram destacados para a sede da empresa, localizada na capital, Kampala, impedindo o normal funcionamento das instalações. Em simultâneo, os canais televisivos NTV Uganda e Spark TV deixaram de emitir.

Os três meios de comunicação pertencem ao Nation Media Group, considerado um dos maiores e mais influentes grupos de comunicação da África Oriental.

Até ao momento, as autoridades não apresentaram uma justificação oficial para a operação. No entanto, através de várias publicações na rede social X, o general Muhoozi Kainerugaba deixou clara a sua posição relativamente à liberdade de imprensa.

"Não acredito na existência de uma imprensa livre. A imprensa deve ser orientada pelos quadros da revolução", escreveu o responsável militar, acrescentando posteriormente que o seu "grande pai" lhe concedeu "o poder de encerrar qualquer órgão de comunicação social" que considerasse necessário.

O chefe do Exército afirmou ainda que a NTV Uganda e o Daily Monitor "não voltarão a funcionar sem a sua autorização", concluindo que "a partir de agora, todos os meios de comunicação social no Uganda seguirão as regras".

As declarações provocaram forte preocupação entre organizações de defesa dos direitos humanos e partidos da oposição, que há muito acusam Muhoozi Kainerugaba de desempenhar um papel central no reforço de um regime cada vez mais repressivo, liderado pelo seu pai, o Presidente Yoweri Museveni.

Por outro lado, os apoiantes do Governo defendem que Museveni garantiu décadas de estabilidade política e crescimento económico ao país, considerando que a firmeza do Executivo tem sido essencial para preservar a segurança nacional.

Yoweri Museveni, de 81 anos, chegou ao poder em 1986, após liderar uma guerrilha que derrubou o governo da época. Desde então, tornou-se um dos líderes africanos há mais tempo no poder. No início deste ano, conquistou um sétimo mandato presidencial em eleições contestadas pela oposição e criticadas por vários observadores internacionais.

Nos últimos anos, têm aumentado as especulações de que Museveni estará a preparar o seu filho, Muhoozi Kainerugaba, para lhe suceder na liderança do país, cenário que ganha força perante o crescente protagonismo político e militar do general.

O encerramento dos principais meios de comunicação independentes representa mais um episódio de tensão entre o Governo ugandês e a imprensa, levantando novas preocupações sobre o estado da liberdade de expressão e da independência dos órgãos de comunicação social no Uganda.

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