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Quinta, 08 Outubro 2026 12:16

Tribunal julga pastor “profeta Israel” acusado de abusar sexualmente de seis jovens

O Tribunal da Comarca do Lubango iniciou esta quinta-feira o julgamento do líder da congregação religiosa “Amor e Compaixão", acusado de abusar sexualmente de seis jovens, membros da mesma família.

Mais conhecido por “profeta Israel”, Nelson Fernando Sampaio, de 53 anos de idade, foi detido em princípio do ano em curso, sob a acusação de agressão sexual entre 2022 e 2025, a fiéis do "ministério de louvor da congregação", que à data dos factos tinham entre 15 e 16 anos de idade.

O cidadão em causa é casado e tem 10 filhos (dos quais três menores de idade). Natural de Luanda, residia no município da Palanca (província da Huíla), até à data dos factos. 

A congregação começou a funcionar em Luanda, em 2009, e está no município da Palanca desde 2020 como ministério, numa estrutura erguida com chapas de zinco.

A sessão inicial do processo 702/2026-D estava prevista para esta quarta-feira, mas foi adiada para o dia seguinte, em função da ausência do arguido por supostamente não ter sido notificado para comparecer no tribunal.

O julgamento que tem como juiz Agnaldo Bartolomeu e a acusação a ser representada pela magistrada Sydney Siculino, está a decorrer com acesso limitado ao público e a imprensa, em função de ser um crime contra a liberdade e auto-determinação sexual.

Ao ser interrogado, nessa fase de produção de provas, o arguido admitiu conhecer as seis ofendidas, mas alega não se lembrar do período concreto em que começaram a frequentar o seu ministério.

O pastor negou ter mantido relações sexuais com as vítimas. No entanto, admitiu que esteve a sós com as mesmas em diversos momentos, tanto no seu escritório na congregação, como no matagal onde estava instalado o templo.

Sobre o que abordavam em tais encontros, Nelson Sampaio disse que falavam de tudo um pouco, para solucionar problemas por elas apresentados, pois mantinham um relacionamento não só entre pastor e membros, mas de “pai para filhas”.

Quanto as acusações, o pastor considerou serem falsas e que estava a ser incriminado por ser “alvo espiritualmente a abater” na região por outros líderes religiosos, políticos e empresários.

Afirmou que tinha um programa religioso numa emissão local que abordava tais questões para desmitificar e afrontar o que a Bíblia condena como práticas demoníacas, atitude que lhe teria valido mais de 10 envenenamentos, em função da frontalidade com que lidava com a situação. 

A sessão continua com o interrogatório das seis lesadas, enquanto a imprensa foi convidada a retirar-se em função da tipicidade criminal. Para esta sexta-feira, a audiência está reservada para as testemunhas e declarantes no processo.

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