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Segunda, 06 Julho 2026 19:08

Venda de 15% da UNITEL reacende críticas de Isabel dos Santos à nacionalização da operadora

A colocação de 15% do capital social da UNITEL na Bolsa de Dívida e Valores de Angola (BODIVA) volta a trazer para o centro do debate a nacionalização das participações anteriormente detidas pela empresária Isabel dos Santos na maior operadora de telecomunicações do país.

Em 2022, na sequência da decisão do Estado angolano de nacionalizar as participações da empresária na UNITEL, Isabel dos Santos contestou duramente a medida, classificando-a como um "roubo" e questionando os fundamentos invocados pelo Executivo para justificar a operação.

Na altura, a Presidência da República sustentou que a nacionalização foi motivada pelas acções judiciais movidas contra a empresária e pelo "excepcional interesse público" associado à estabilidade e ao funcionamento da operadora.

Isabel dos Santos, contudo, rejeitou essa justificação, argumentando que os próprios fundamentos apresentados pelo Estado demonstravam a solidez financeira e operacional da empresa.

A empresária recordou que a UNITEL foi criada em 1998 e salientou que, pouco tempo antes da nacionalização, o Estado angolano adquiriu, por cerca de mil milhões de dólares, os 25% da participação detida pela PT Ventures SGPS, antiga accionista da operadora.

Segundo Isabel dos Santos, o facto de o Estado ter optado por comprar a participação da empresa portuguesa e, posteriormente, nacionalizar as participações dos accionistas angolanos levantava dúvidas sobre os critérios adoptados na operação.

"Pagaram mil milhões de dólares por 25% da empresa, mas decidiram nacionalizar as participações dos accionistas angolanos", afirmou na ocasião.

A empresária defendeu ainda que o decreto de nacionalização reconhecia que a UNITEL era uma empresa financeiramente sólida, tecnologicamente desenvolvida e responsável pela criação de milhares de postos de trabalho, razão pela qual questionava a necessidade da intervenção do Estado.

Na mesma entrevista, Isabel dos Santos sustentou que as acusações de corrupção e de alegado desvio de recursos públicos dirigidas contra si serviam para justificar politicamente a nacionalização da operadora.

Questionada sobre o destino que poderia ser dado às participações nacionalizadas, respondeu que o objectivo seria, posteriormente, aliená-las a terceiros, afirmando que seriam vendidas "aos amigos".

As declarações foram feitas numa altura em que Isabel dos Santos contestava judicialmente diversas medidas adoptadas pelas autoridades angolanas no âmbito do processo de recuperação de activos.

Quase quatro anos depois, o Governo angolano avançou com a alienação de uma parte do capital da UNITEL, colocando à venda 15% das acções da operadora através da Bolsa de Dívida e Valores de Angola (BODIVA), no âmbito da estratégia de privatização de activos públicos.

A operação insere-se no Programa de Privatizações (PROPRIV) e pretende alargar a base accionista da empresa, permitindo a participação de investidores institucionais e particulares no capital da maior operadora de telecomunicações do país.

A abertura do capital da UNITEL representa uma nova etapa na reestruturação accionista da empresa, cuja composição foi profundamente alterada após a nacionalização das participações anteriormente detidas por Isabel dos Santos.

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