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Terça, 24 Março 2026 11:58

Julgamento de arguidos por terrorismo e espionagem começa hoje em Luanda

O julgamento de um processo-crime envolvendo quatro arguidos — dois cidadãos russos e dois angolanos — tem início nesta segunda-feira, 24, na 3.ª secção do Tribunal da Comarca de Luanda.

Os réus são acusados pelo Ministério Público de um conjunto de crimes graves, entre os quais espionagem, terrorismo, organização terrorista, tráfico de influência e associação criminosa. O caso está relacionado com os “acontecimentos” ocorridos durante a greve dos taxistas, em julho de 2025.

Entre os arguidos angolanos encontram-se o jornalista Amor Carlos Tomé, ligado à Televisão Pública de Angola, e o político Francisco Oliveira, secretário para a mobilização da JURA, braço juvenil da UNITA.

Já os cidadãos russos, identificados como Lev Lakshtanov e Igor Ratchin, são apontados pelas autoridades como estando ligados a organizações internacionais de financiamento ao terrorismo.

De acordo com o Ministério Público, os arguidos estariam envolvidos na preparação de um alegado golpe de Estado em Angola, bem como na tentativa de controlo de ativos económicos nacionais, em articulação com forças da oposição.

O processo conta ainda com 12 testemunhas, incluindo jornalistas de diversos órgãos de comunicação social.

As acusações variam conforme o arguido. Os cidadãos russos respondem por 11 crimes, incluindo financiamento ao terrorismo, falsificação de documentos e introdução ilícita de moeda estrangeira. Já Amor Carlos Tomé enfrenta nove acusações, entre elas burla e instigação pública ao crime. Por sua vez, Francisco Oliveira responde por cinco crimes.

Segundo a acusação, Amor Carlos Tomé teria atuado no recrutamento de jornalistas com o objetivo de disseminar informações falsas em meios de comunicação tradicionais e plataformas digitais, como Facebook e WhatsApp, com a intenção de gerar um clima de insegurança e desconfiança em relação ao governo.

O Ministério Público sustenta ainda que os cidadãos russos pretendiam financiar a UNITA com vista às eleições gerais de 2027.

Os quatro arguidos foram detidos em agosto de 2025, em Luanda, na sequência da greve dos taxistas ocorrida no final de julho. O protesto, motivado pelo aumento dos preços dos combustíveis e das tarifas de transporte público, degenerou em atos de vandalismo em várias zonas da capital.

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