O governador do Icolo e Bengo, Auzílio Jacob, rejeitou os relatos que apontam para uma vaga de fome em Angola e contestou a ideia de que o país esteja mergulhado numa situação de crise generalizada.
Durante um acto de massas do MPLA na província que dirige, o governante procurou contrariar a narrativa que, segundo afirmou, tem sido difundida através das redes sociais, recorrendo a uma comparação com a realidade observável nas ruas e nos mercados.
“Quando se diz que num país há fome, ninguém vende comida na rua. As pessoas com fome iam tomar conta da comida. Um país que tem fome não tem cabrito e galinha na rua.”
A declaração foi apresentada por Auzílio Jacob como argumento para sustentar que a realidade do país não corresponde à imagem de uma população generalizadamente confrontada com a fome.
O governador rejeitou, neste contexto, a ideia de que Angola esteja “parada, morta quase e atirada à sua sorte”, numa intervenção marcada pela crítica aos relatos difundidos nas plataformas digitais.
Comparação com a Etiópia
Para reforçar a sua argumentação, Auzílio Jacob estabeleceu uma comparação com a crise humanitária registada na Etiópia durante a década de 1980, período associado a uma grave situação de fome e escassez alimentar.
Segundo o governante, uma situação de fome extrema produziria sinais muito diferentes daqueles que, na sua perspectiva, são actualmente observáveis em Angola. Entre esses sinais estaria a ausência de animais destinados à venda e ao consumo nas ruas, devido à pressão exercida pela população sobre qualquer fonte disponível de alimento.
A comparação serviu para questionar o que considera ser uma representação exagerada da situação social e económica do país nas redes sociais.
Venda de alimentos como argumento
A presença de vendedores de comida e de animais destinados ao consumo foi, assim, utilizada pelo governador como um dos principais elementos da sua argumentação.
Na leitura apresentada por Auzílio Jacob, a existência de comércio regular de alimentos nas ruas — incluindo galinhas e cabritos — seria incompatível com um cenário de fome generalizada, no qual, segundo defendeu, a população procuraria apropriar-se imediatamente dos alimentos disponíveis.
A afirmação, contudo, corresponde à interpretação política do governador sobre a situação alimentar no país e não constitui, por si só, uma medição das condições de segurança alimentar da população.
Icolo e Bengo sob liderança de Auzílio Jacob
Auzílio de Oliveira Martins Jacob dirige a província do Icolo e Bengo desde Dezembro de 2024, quando foi nomeado pelo Presidente da República para liderar a nova unidade administrativa.
A província, cuja capital é Catete, foi institucionalizada no âmbito da nova divisão político-administrativa de Angola. O Governo apresenta a criação da nova província como parte de uma estratégia destinada a aproximar os serviços públicos das populações e melhorar a resposta administrativa.
Nos últimos meses, o governador tem também participado em iniciativas relacionadas com a formação profissional e o apoio aos jovens. Em 2025, por exemplo, foram anunciadas bolsas de estudo e a distribuição de kits profissionais destinados à criação de pequenos negócios na província.
Debate sobre a realidade social
As declarações de Auzílio Jacob acrescentam um novo capítulo ao debate sobre as condições económicas e sociais em Angola, particularmente numa altura em que os relatos publicados nas redes sociais têm colocado em evidência dificuldades enfrentadas por famílias em diferentes zonas do país.
Ao rejeitar a existência de uma situação de fome generalizada, o governador contrapôs a sua observação da actividade comercial nas ruas à imagem de um país em ruptura alimentar.
A questão, porém, permanece mais ampla do que a simples existência de alimentos à venda. A disponibilidade de produtos nos mercados não determina, por si só, se as famílias conseguem adquiri-los em quantidade suficiente, nem permite medir o nível de insegurança alimentar ou o poder de compra da população.
Foi precisamente sobre essa realidade que o governador procurou intervir politicamente, defendendo que a imagem de um país “morto” ou “atirado à sua sorte” não corresponde, na sua perspectiva, ao que observa no terreno.

