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Sábado, 08 Agosto 2026 20:29

Adalberto Costa Júnior denuncia "estado de guerra" e adia comício da UNITA no Uíge

A UNITA adiou o comicio de homenagem ao fundador Jonas Savimbi após os acontecimentos de hoje no Uige, que o presidente do principal partido da oposição angolana classificou como "um estado de guerra".

A União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA) acusou a Polícia Nacional de cercar a sede. do partido no Uige e atentar contra a vida do deputado e secretário-geral da JURA (braço juvenil do partido), Nelito Ekuikul, num incidente de que resultaram vários feridos.

Em declarações à Lusa, Adalberto Costa Júnior classificou o Uige como um palco de intolerância e advertiu que os acontecimentos de hoje podem ser "um ensaio" para as eleições de 2027.

"O que vimos hoje no Uige é um estado de guerra estúpido, violento, desproporcional", afirmou, anunciando o adiamento do ato central que estava previsto para assinalar o 92.º aniversário do Presidente fundador do partido.

O lider do maior partido da oposição responsabilizou diretamente o governador do Uige e o comandante provincial da polícia, que classificou como "incompetentes e irresponsáveis", acusando-os de quererem "impedir um ato público".

"Vimos a polícia a disparar contra as pessoas, contra mulheres, contra cidadãos, a disparar contra a sede da UNITA", disse, negando qualquer provocação.

Segundo o relato de Nelito Ekuikui à Lusa, a polícia fechou esta manhã as ruas e cercou a sede, tendo por volta das 12:00 começado a disparar tiros e gás lacrimogéneo, alegadamente com "balas reais".

Costa Júnior criticou o facto de o governador acumular o cargo com o de primeiro-secretário do MPLA na província, o que considerou "um dos grandes crimes" do partido no poder, por atribuir "o poder público de representação à mesma pessoa que tem a representação do poder partidário".

O líder da UNITA relatou ainda que, à entrada na cidade, na sexta-feira, a caravana foi desviada do percurso previsto pela policia, alegadamente por ordem do governador, que teria proibido a circulação pelo centro.

Contou também que os locals escolhidos pela UNITA para as suas iniciativas partidárias foram recusados pelas autoridades, o que considerou "inadmissivel".

O responsável afirmou ter mantido hoje um "diálogo com a Presidência da República", a quem disse ter enviado videos da violência.

"A Presidência tem conhecimento disto. Vamos ver o que vai acontecer", declarou, sublinhando que o partido val "pedir responsabilização" do governador e do ministério do Interior.

Costa Júnior garantiu que a UNITA vai regressar e realizar o comicio posteriormente.

"Hoje fomos muito responsáveis, pedimos à juventude para não reagir, nós próprios abdicámos de fazer o ato, mas vamos ter de voltar a fazê-lo", afirmou, acusando o partido no poder de tentar "impor o medo" e "restringir liberdades no caminho para as eleições.

"Isto não é um problema da UNITA. É um problema dos angolanos", insistiu.

O dirigente acusou ainda a JMPLA, braço juvenil do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), de ter invadido o acampamento da JURA "para criar confusão" e violência.

A Lusa contactou o Governo Provincial do Uije e a Polícia Nacional para obter a sua versão sobre os acontecimentos, mas remeteram esclarecimentos para mais tarde.

O governo provincial tinha previsto uma conferência de imprensa que acabou por não acontecer.

Os incidentes ocorreram no âmbito da IV Reunião Ordinária do Comité Nacional da JURA, o braço juvenil da UNITA, que decorria no Uige desde quinta-feira e cujo ponto alto seria hoje o ato central comemorativo do 92.º aniversário de Jonas Malheiro Savimbi.

Na véspera, sexta-feira, Costa Júnior abrira a reunião com um discurso centrado no papel da juventude no "desafio da alternância do poder" nas eleições gerais de 2027, apelando aos jovens que atualizassem os dados eleitorais e se assumissem como garantes da mudança.

Nas eleições gerais de 2022, o MPLA, no poder desde 1975, venceu com 51,17% dos votos, enquanto a UNITA, que registou a sua melhor votação de sempre, venceu, pela primeira vez, em Luanda, Cabinda e Zaire.

As próximas eleições gerais estão marcadas para 2027.

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